Radiodocumentário: experimentação e aprofundamento
Criados no final dos anos 20, os primeiros radiodocumentários reproduziam uma estrutura e ambientação parecida com a que se tentava construir nos cinemas. Apresentando em forma de uma reportagem mais aprofundada determinado assunto, desperta no ouvinte, a imaginação necessária para representar o cenário do que se ouve.
O uso de trilhas, efeitos sonoros, entrevistas e a presença ou não de um locutor âncora, faz do gênero radiodocumentário o mais apropriado para o estudo sobre um conteúdo verbal ou não em rádio, já que possibilita a reconstrução cênica mais facilmente. Como destaca Ferrareto
“O radiodocumentário torna possível a utilização de reportagens ampliadas sobre assuntos cotidianos, o desenvolvimento do senso crítico e aguçar o imaginário do ouvinte”. (FERRARETO, 2001)
Ao se escolher o assunto de um radiodocumentário deve-se sempre levar em conta o contexto em que se está inserido e o perfil do público que será possivelmente atingido. Já que como defende a autora Carmen Lucia José ele possibilita espaço e tempo do rádio especialmente às pessoas mais receptivas. Além disso, o cuidado com as entrevistas e na produção das sonoras utilizadas é de extrema importância, já que serão elas que darão mais profundidade ao assunto.
Pode-se dizer que o gênero radiodocumentário é um dos que permite maior liberdade aos seus produtores, pois além de uma grande variação sonora, pode ser apresentado de forma cronológica ou não, conter ou não a presença de um locutor ou narrador, relatar um assunto atemporal, real ou fictício. Além disso, permite a utilização de diferentes classificações de fontes (depoentes — trazem sua experiência, autoridades ou especialistas) realizando assim, uma apresentação do tema a partir de pontos de vista distintos, além de não exigir preocupação com a hierarquização das informações, apenas com a elaboração de um planejamento adequado. Labaki e Mourão afirmam ainda que
“O gênero documentário tem desenvolvido a noção de ensaio com as características que lhe são peculiares: a liberdade de expressão, a possibilidade de experimentação, o desenvolvimento do espaço subjetivo, a montagem como agenciadora de uma desordem”. (LABAKI E MOURÃO, 2003, p.23)
Entretanto, mesmo sendo um dos gêneros mais ricos em produção de conteúdo, o radiodocumentário é pouco executado nos meios radiofônicos, a maioria dos pesquisadores atribui isso a grande demanda que esse tipo de trabalho exige, o que faz com que a produção de um boletim ou de uma matéria seja mais cômoda e acessível financeiramente. Como complementa Robert Mcleish
“Para fazer radiodocumentário é preciso entreter e ao mesmo tempo informar, esclarecer e também simular novas ideias e interesses”. (MCLEISH, Robert)
Os radiodocumentários sem dúvidas precisam de um incentivo maior por parte dos amantes do fazer radiofônico, pois são ferramentas completas para o repasse de informações. Além disso, dentro da sala de aula, servem como um ótimo exercício de prática aos alunos, já que exige cuidado e preocupação no processo de planejamento, execução e divulgação, polindo o aluno para o mercado de trabalho e exercitando sua liberdade de criação.
*Texto produzido para a disciplina de Radiojornalismo III sobre radiodocumentário.
