Ébrio

Tão comum e inebriante

É olhar só por relance

As folhas verdes que balançam

Os insetos que revoam

Ouvir o som d’água corrente

E largar-me inteiramente

Sobre a grama do ambiente

Escalar o morro, infante

Tão comum e inebriante

Comer das frutas ao alcance,

Prazer que muitos abandonam

Em que meus sentidos se deleitam

Ver o deitar do sol poente

A beleza da noite insipiente

O sussurrar dum grilo eloquente

O calor noturno instigante

Tão comum e inebriante

É fastio fustigante

É peleja incessante

É brasa fumegante

Tão comum e inebriante

É não ter nunca sabido

Que ninguém terá havido

Com seus lapsos percebido

Que deitado na relva verde

Inda que por breve instante

Tenha o tempo estado ao lado,

Sentado, a conceder-lhe

Este momento revigorante.

http://setebalas.blogspot.com.br/2016/03/insonia.html

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Daniel Maia’s story.