Chavões como método

Excelente o ensaio linkado abaixo, publicado na FSP de ontem, 14/02/16. Para os interessados em metodologia científica, especialmente Economia, vale muito a leitura.

Aqueles minimamente versados na visão austríaca sobre Economia rapidamente vão perceber que os autores prestaram grande serviço em confirmar todas as objeções que a Escola Austríaca faz sobre o mainstream. Basicamente a linha dos autores é:

1. Ciência econômica é uma ferramenta desenvolvida para o “bom governo”. É tão grande o fascínio pelo mito do governo científico que essa é a primeira frase do ensaio.

2. Os autores ouviram o galo cantar em algum lugar na internet que Escola Austríaca é discurso radical de direita. E assim sendo se sentiram a vontade para não contrapor nenhuma objeção feita pela praxeologia.

3. Economia é como a física e a biologia. Homens são iguais a ratos, pedras, amebas.

4. A boa metodologia científica é aquela que permite a confirmação com dados. Esse é o empirismo cru. Mas os dados precisam de metodologia de coleta, certo? Então concluímos que o empirismo precisa ser testado empiricamente antes de ser aceito. Ainda que sedutor, o empirismo leva a raciocínios circulares e a conclusões mais frágeis que as premissas.

5. Pergunte a um adepto dessa metodologia proposta pelos autores se eles reconhecem o caráter subjetivo do problema econômico e eles responderão que sim. Pegue qualquer trabalho deles e lá estarão eles medindo, contando e pesando tudo. Paralaxe cognitiva em nível máximo.

6. Imaginem a seguinte argumentação: o método de adestramento de golfinhos se aplicam aos humanos, pois ambos são mamíferos. Um absurdo completo. Mas aceitamos muito bem a afirmação de que a metodologia das ciências naturais se aplica à Economia, pois em ambas temos dados. Aceitar isso implica em retirar toda a ação humana propositada do problema econômico, ou seja, tirar o esqueleto do corpo e esperar que ele pare de pé.

7. Finalizam com o mantra do positivismo empiricista, cuja prova se sustenta na repetição. “Ciência requer procedimentos formais sobre conjecturas precisas, testes empíricos e discussões detalhadas sobre modelos estatísticos, colaborando com o rigor na análise da evidência e dos argumentos propostos.”

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Método, e não retórica, deve reinar na economia

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/02/1738971-metodo-e-nao-retorica-deve-reinar-na-economia.shtml
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