Nekketsu !! Sobre recordações e senso crítico.

Eu costumo dizer sempre, que a primeira impressão é a unica que importa em uma obra, seja livros, filmes, desenhos, musicas, etc. Nenhuma crítica vai mudar que quando você viu aquele filme ruim você se divertiu e não percebeu erros ou falhas de roteiro ou qualquer coisa assim, mas a ilusão de desenvolver um “senso crítico” pode evitar que você crie boas recordações.

Quando você é criança e ainda não tem as centenas de mecanismos de defesa que precisamos construir pra lidar com a fria vida adulta, toda ligação emocional é direta, seja pro bem ou pro mal, é assim que funciona, e por causa disso grandes traumas são facilmente impressos em uma pessoa pela vida inteira. Mas é justamente sobre o oposto que eu quero falar nesse texto.

Eu não me lembro de algum momento na minha vida que eu não me achasse menos que os outros, até quando eu fazia algo certo eu era criticado. E nessa luta pra tentar conter esses danos e seguir em frente, Cavaleiros do Zodíaco sempre esteve presente como minha obra preferida.

Cavaleiros do Zodíaco sofre críticas sempre que algo novo sai, coisas como “roteiro fraco”, “personagens rasos” e quer saber ? Estão todos certos. Mesmo que sejam adultos criticando um desenho pra crianças, o que já é meio patético, ainda sim eles estão certos. Masami Kurumada não era o melhor desenhista, roteirista e o desenho tinha um grande apelo pra venda de bonecos, inclusive a Bandai continua investindo em coisas novas de CDZ por esse motivo.

O problema é que o Daniel de 7 anos não entende onde isso foi um problema pra ele. Nada muda as inúmeras divertidíssimas horas emocionado na frente da Tv como se aquelas lutas realmente fossem salvar o universo.

Eu costumo dizer que o anime original de CDZ é incrível por um um esforço coletivo, os dubladores brasileiros pela emoção que passaram, Shingo Araki por fazer um design de personagens muito competente e a trilha sonora que é incrível até hoje, mesmo datada.

Nem todos esses pontos positivos importavam pro Daniel de 7 anos, o que realmente importava era que ele aprendeu ali que podia continuar se levantando sempre que a vida batesse forte demais. É clichê, é bobo, mas funciona. Pequenos e eficientes recursos.

CDZ falava diretamente comigo, seja por causa da minha baixo auto estima ou o que quer que seja, até hoje o Daniel de 27 anos acessa aquelas recordações incríveis nas horas difíceis, é bobo, mas funciona. Me lembro de ter passado inúmeras horas com uma enciclopédia que meu pai me deu, lendo sobre constelações, e galáxias, e planetas, e todo meu amor por astronomia, astrofísica, mitologia grega, nórdica, teve esse desenho como gatilho.

E isso se aplica a todas as coisas boas da infância de qualquer pessoa. Boas recordações viram bons recursos pro resto da vida, não importa de onde eles venham.

Então quer saber ? Eu quero é resgatar a capacidade de curtir as coisas sem a necessidade de ter que colocar em palavras e dar uma nota no final, ou entrar no cinema tentando prestar atenção nas partes técnicas e me focar no que realmente importa: criar boas recordações. Sobre o senso crítico, saiba que seus gostos refletem o seu interior, quando você amadurece, seu gosto também, é natural, portanto, não é algo que vale a pena se preocupar.

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