O passado é agora.

Sempre ouvi dizer que o tempo passa, mas estou deixando de acreditar. Acordo e não penso nos compromissos que tenho ao longo do dia. Qualquer coisa me remete a um tempo que não é o hoje. E assim descobri que o tempo não passa. O tempo fica, o tempo circula. E o tempo que não é o hoje insiste em voltar.

Olho para minha mulher e volto a ter nove anos, no pátio da escola espiando uma menina com um topete tipicamente curitibano do início dos anos 90 pulando elástico com as amiguinhas. No segundo seguinte, vejo uma Araucária na rua e sou lançado aos onze, correndo pelo bosque João Paulo II. Minha filha brinca com uma boneca e me vejo aos seis, com os Comandos em Ação escalando minha cama com a ajuda de minhas mãos.

Se é verdade que o tempo não para, também é verdade que quanto mais longe está, mais insiste em voltar. Insiste em circular entre as agendas do presente e do futuro, arranjando tempo para brincar comigo. Acima de qualquer coisa, o tempo é livre.