— Tem de cinco?
— Tem de cinco?
— Iiiih cara, não tá fácil pra ninguém!
Esse cara nunca tem de cinco… Ou ao menos nunca diz que tem.
Na verdade eu acho que ele sempre me vende a de cinco, só que por dez.
Com exceção da primeira vez, claro, quando ele me vendeu a de vinte por cinco, ou será que é o de vinte por cinco? Bom, sei lá, eu acabei nem fumando aquilo.
Na verdade eu nem sei como que é contada, mas da última vez veio pouco, tenho certeza!
— Porra! Que merda ein?!
— Mas ó, deixa eu te falar, se fosse por mim, essa de dez vale ein!
Eu nunca nem pergunto quanto vem, ou quanto vai. A última vez era boa, mas por 10 reais deveria ser o dobro; Bom, foi isso que o cara que fuma comigo me disse.
— E aí, vai querer?
— Peraí.
Bom, aqui eu tenho cinco, mas ainda tenho que pagar o ônibus, nem sei como vou descolar os outros dez.
— Vou querer sim, tem como cê me trazer amanhã? Aqui tô sem grana, mas amanhã a gente faz na mão.
— Tá! Amanhã a gente se fala.
Eu ainda não sei se vai dar, eu tava pensando em fumar lá no cristo. Será que vou apanhar se não trouxer a grana?
— No banheiro do colégio mesmo? No intervalo? — É, nove e meia.
Tem sempre a possibilidade dele comprar duas de cinco e ficar com uma para ele, e me vender a outra por dez. Sei lá, talvez seja assim.