Destruo?

Sem deixar de esquecer o passado, quem devo escolher para me substituir na paralisia?

Dentro de todas as angústias em que se estabelece a realidade do Brasil, minguamos diante do escuso e infame. Não esclarece o que podemos ou não mudar. Mas o que fazer?

Encontrar a chave para a mudança não está apenas nas nossas mãos, mas também nas relações que construímos, no nosso papel como debatedores e críticos, de mudanças de paradigma e pensamentos. Entretanto isto me leva a pensar… até que ponto vale o esforço para esclarecermos àqueles que poderiam mudar o mundo, tanto para pior quanto para melhor?

Este tipo de pergunta estranha e um tanto impositiva me leva à outras, mas principalmente a uma em que me debruço todos os dias: Somos livres para pensar, logo, ao tentarmos modificar uma opinião, nós cairíamos na armadilha de censurar/escravizar formas de pensamento?

Em mídias sociais isto tem sido elevado a outro patamar: Qual a vitória daquele que impõe a sua opinião? É apenas pelo ego que debatemos e defendemos de forma ferrenha nossas opções e opiniões? Até que ponto o ativismo pode ser declarado assim e não como terrorismo dos “esclarecidos”?

Vale a pena destruir concepções em prol das suas próprias? De quem é a culpa pelo que o outro não entende? Seria dos pais? Professores durante a vida? Seria do seu caráter? Ou seria na verdade apenas algo inato, instintivo pensar de forma diferente à sua?

Muito se fala em compreender o próximo, aceitar do jeito que cada um é, mas isto também poderia ser uma falácia do jogo de espelhos? A quem quero enganar ao “aceitar” o outro como é, sendo que no íntimo quero vê-lo como um reflexo meu?

E sendo este reflexo imperfeito aos meus olhos, eu quebro o espelho? Quebro a ligação? O antissocial é aquele que não tem espelhos para se ver refletido? Ou seria aquele em que todos os espelhos não possuem reflexo?

O espelho é a chave para a aceitação ou a mácula em que o egocentrismo se inicia? Como diferenciar o certo do errado quando nossas concepções são as “verdadeiras” dentro de nossos “espelhos”? E este espelho, mantenho intacto ou destruo?


Uma breve reflexão contra as imposições de opinião pela Internet.

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