Ipanema, Rio de Janeiro, sábado pela manhã. Passei nessa paisagem de segunda à sexta durante meses e não tive tempo de prestar atenção nela.

Ame as Sextas

Comecei a escrever esse artigo como um comentário no LinkedIn, de forma despretensiosa. Fui publicar e… tinha estourado o limite de caracteres.

Tudo bem, faz parte. Trouxe pra cá. É mais um desabafo, um relato, uma pequena história, do que um “artigão”, desses capazes de gerar milhões de visualizações, likes e compartilhamentos.

Se servir apenas para registrar a história já valeu pra mim :)

Esse caso aconteceu há uns três ou quatro anos atrás, mas lembro dele como se fosse ontem.

Era sexta e todos na empresa manifestavam grande felicidade por conta do final de semana se aproximando.

Não só comentando e festejando entre si mas postando comentários, memes e fotos em redes sociais.

O almoço de sexta é sempre mais divertido, não é mesmo?

Menos uma pessoa. Uma profissional (pela qual tenho muito respeito) veio bastante incomodada comentar comigo sobre a postura de outros colegas de trabalho em nossa empresa. Ela queria saber como lidar com a situação e também o que eu achava sobre tudo aquilo.

Ela não achava certo tanta felicidade e menos certo ainda tanto entusiasmo, sem pudor algum, pela chegada da tão esperada sexta.

Achava que aquilo era uma demonstração de que as pessoas não curtiam a empresa.

Mais: tinha certeza de que isso mostrava que as pessoas não gostavam do trabalho e que não estavam engajadas o suficiente. Que era um péssimo exemplo para os profissionais mais novos e uma mensagem ruim para os clientes.

Afinal, por que comemorar tanto a chegada do final de semana se éramos uma ótima empresa, com profissionais bacanas que se gostavam (e gostavam do que faziam) e nutríamos (ou pelo menos tentávamos nutrir) um ambiente agradável?

Ela esperava, claro, que eu concordasse.

Afinal, sempre fui um apaixonado pela empresa, pelo trabalho e pelos resultados que a gente gerava para nossos clientes e para a sociedade (eu trabalhava com educação, para quem não sabe: nada mais natural do que sentir um grande orgulho por isso, não é?).

Ela ficou surpresa porque eu discordei. Mas não foi só uma discordância leve. Discordei veementemente.

Discordei porque eu, assim como muitos dos meus colegas de trabalho, sempre amei sextas (pela expectativa) e ainda mais os sábados e domingos (pelas possibilidades).

Sempre (e principalmente depois de virar pai).

Pois é nesses dias que eu posso curtir minha família e meus filhos — que me ensinam a ter mais paciência durante a semana com quem ainda está aprendendo no trabalho.

É nesses dias que reaprendo a pensar como criança, sem amarras e limitações, o que me ajuda a superar novos problemas quando eles aparecem.

É também nesses dias que eu posso vivenciar experiências, locais e ambientes diferentes — e, com isso, aprendo a traçar paralelos que me ajudam a inovar no trabalho.

E, finalmente, é nos finais de semana que eu mais posso conversar com pessoas diferentes de mim e de meus colegas de trabalho — que me ajudam, e muito, a entender como meu público pensa, age, reage e se comporta.

Quem se fecha no mundo corporativo esgota sua capacidade criativa muito mais rápido.

É menos capaz de gerar soluções novas para problemas inéditos.

E também quem menos sabe lidar com pessoas diferentes, contextos diferentes e culturas diferentes.

Já quem vive o mundo em sua plenitude consegue ser mais inovador, mais equilibrado e mais empático no ambiente trabalho.

E pode gerar GRANDES resultados de segunda à sexta.

Ame as sextas, os sábados e domingos, sem culpa.

#umaprendizadopordia

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