Final de tarde em São Francisco, EUA.

Sim, “Há algo de grandioso acontecendo no mundo”. Mas qual o seu papel nessa história toda?

Fui um dos milhares (centenas de milhares?) de leitores que tiveram o prazer de ler o post do Gustavo Tanaka que viralizou na web, “Há algo de grandioso acontecendo no mundo”.

Parabéns, Tanaka! Você soube como poucos colocar em palavras a sensação de muitos, de que precisamos de uma nova forma de encarar esse mundo cada vez mais dinâmico, compartilhado, espiritual e holocrático.

Acho que todos concordamos que algo grandioso JÁ está acontecendo.

Mas, de repente, me vi fazendo outra pergunta a mim mesmo.

Se há algo grandioso acontecendo no mundo, o que precisamos fazer para que de fato algo grandioso aconteça com cada um de nós?

Como fazer para não sermos levados no turbilhão das transformações, cada vez mais velozes?

Fiquei com um pouco de receio de parecer que estava pegando carona no sucesso do Tanaka. Mas se isso ajudar a compartilhar novas ideias, por que não? Afinal, essa é a beleza da economia colaborativa, não é verdade?

Sendo assim, separei algumas conclusões de como nós podemos ajudar nessa transformação, que compartilho a seguir.

Como posso me transformar nessa nova sociedade?

1. Primeiro, Liberte-se. Dos seus medos, das suas âncoras. Pode até ser de você mesmo.

Sempre me impressionou a quantidade de pessoas que vivem a vida de forma passiva, como expectadores, esperando que algo grandioso aconteça.

Não que eu ache isso negativo em essência, pois cada um tem o direito de escolher a vida que quer levar — em intensidade, velocidade, valores, experiências e resultados — e o legado que quer deixar.

Alguns buscam segurança, profundidade, intimidade, outros buscam emoção, extroversão e multiplicidade.

São apenas dimensões diferentes da felicidade e não sou eu quem vai julgar o que faz cada um feliz.

O que me impressiona, no entanto, é a quantidade de pessoas que vive de forma passiva, mas de forma insatisfeita, incompleta e sem saber que é possível viver de forma mais ativa e realizadora.

São pessoas que apenas almejam sonhos, mas não dão os primeiros passos para alcançá-los. Pessoas que acreditam que sonhar e conseguir é algo impossível, permanecendo em uma “zona de conforto” que nem tão confortável é.

Pense, por exemplo, em sua rede de amigos.

Quantos você conhece que estão insatisfeitos com sua vida profissional? Com o trabalho? Com o chefe? Com o que geram de resultado? Com o tempo que passam com a família e com os amigos?

Pesquisa da ISMA Brasil (International Stress Management Association), divulgada em 2015, mostrou que 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho.

Por que isso acontece?

Os motivos com a insatisfação são vários, desde excesso de trabalho, falta de reconhecimento, problemas de relacionamento com colegas ou com a liderança, ou, simplesmente, porque não é aquilo que elas querem da vida.

Porém, na minha leitura e percepção do problema, há uma causa raiz comum a todos os casos.

7 em cada 10 pessoas são infelizes no trabalho porque o trabalho, ao invés de as aproximarem de seus sonhos, as afastam, de forma implacável.

O trabalho muitas vezes consome seu tempo, sua energia, seu foco.

O trabalho, que deveria engrandecer, muitas vezes apequena. O indivíduo ganha um sobrenome que o limita. O Fulano da Firma X, Fulana da Firma Y, quando não é ainda mais restritivo.

Não somos nossos crachás. Não podemos ser escravos dos nossos crachás.

Podemos e muitas vezes devemos ter orgulho das nossas empresas, mas não devemos encará-las como âncoras para nossos sonhos.

E o que o impede de dar um primeiro passo?

De começar a testar uma ideia?

De se aproximar de pessoas que admira?

De viver um sonho?

Liberte-se do que prende você.

Esse é o início do caminho para buscar a sua felicidade.

2. Dê o primeiro passo em busca de seus sonhos. Pare de esperar a hora certa.

Em 2015, fiz uma pesquisa em um universo bastante heterogêneo.

Por conta do meu histórico profissional, tive acesso a pessoas em todos os níveis e classes sociais, sem distinção.

De jovens a pessoas com mais idade, a profissionais em início de carreira a outros já bem sucedidos (pelo menos conforme o senso comum de sucesso).

A pergunta crucial que fiz para essas pessoas foi:

O que impede você de seguir alcançar e realizar seus sonhos?

Consolidei as maiores barreiras que as pessoas enfrentam — ou acreditam enfrentar.

São elas:

· Medo de não saber por onde começar;

· Medo de não dar certo;

· Medo de perder o que já conquistou;

· Medo de perder a segurança;

· Medo das mudanças;

· Medo de dar certo;

· Medo dos resultados;

· Medo de não saber o que fazer;

Medo, medo, medo, medo e medo.

Dar o primeiro passo é a ação mais importante para quebrar esses medos. Não é fácil, mas muitos conseguiram.

Quantas vezes você postergou uma ação ou uma decisão, por um motivo nada justificável?

Pare de esperar (para sempre) a hora certa de fazer ou começar algo. Ela nunca vem. Palavra de quem já esperou, mjuito.

Você terá sempre que ler mais um livro, fazer mais um curso, ver mais um filme, esperar mais um final de semana. E, quando se der conta, sua energia, seu tempo e seus sonhos já terão ficado para trás (apesar de eu acreditar que nunca, de verdade, é tarde pra começar ou recomeçar. É só para provocar mesmo!).

Isso acontecia comigo. Eu sempre queria estar mais bem preparado e esperar a hora certa. Mas ela (de novo) nunca chega.

Até o dia em que decidi dar um passo para frente, sem medo. Quando eu vi já estava criando, fazendo, descobrindo novas fronteiras.

Comece, mesmo que pequeno. Mas comece.

Escreva. Pinte. Voe de asa delta.

Desenhe um produto.

Convide alguém para fazer algo junto com você.

Assuma um compromisso. E cumpra.

Em resumo, faça o que precisa fazer para fazer o que precisa ser feito.. E pronto, você começou.

3. Antes de tudo, você é o principal responsável pelos seus resultados. Não aceite o papel de vítima (mesmo que você seja uma!).

Entenda que, antes de tudo, você é o responsável pelos seus sonhos e por sua felicidade.

É óbvio — não vamos fechar os olhos para isso — que vivemos em uma sociedade com violência por e para todos os lados.

Contra a mulher, contra os negros, contra os portadores de necessidades especiais, contra os que têm orientação sexual A ou B, contra os mais pobres, contra diversos grupos em situação de risco… Contra quem é de esquerda, contra quem é de direita e contra quem acha essa divisão uma bobagem ultrapassada.

Temos que lutar contra isso, juntos — e sem querer gerar uma discussão política, eu sou totalmente a favor de ações que equilibrem essas diferenças de origem — mas isso não pode ser uma “desculpa” para a passividade e a vitimização. Mesmo nos grupos que sofrem todo o tipo de discriminação e violência vemos casos de superação e sucesso.

Portanto, existe muita coisa que você pode fazer antes de se fazer de vítima.

4. Tenha um Propósito

Simon Sinek resumiu em seu livro “Start with Why” uma das lições mais impactantes para quem quer fazer a diferença:

“As pessoas não compram o que você faz, elas compram porque você faz…”

Você sabe qual o seu “por quê”? E o seu “por quem”?

Daniel Pink dizia que a motivação mais forte de uma pessoa vem de um tripé, formado pela sua maestria (aquilo que você sabe fazer bem), sua autonomia (sua liberdade de fazer) e seu propósito (o motivo pelo qual você faz algo).

Encontre seu motivo. Qual sua missão nessa vida, mesmo que você tenha várias vidas (e missões) nessa vida.

Tudo então fará muito mais sentido.

5. Pare de querer tudo só para você — compartilhe seus sonhos e resultados!

Vejo muitos empreendedores preocupados em dividir ideias, negócios e resultados.

Uma coisa que aprendi em 15 anos como empreendedor, professor, artista… Ninguém consegue alcançar o sucesso sozinho. Seja em uma empresa, seja na sala de aula ou no palco, haverá sempre alguém para você compartilhar um desafio e os frutos dele.

Jim Rohn disse certa vez:

“Compartilhar o torna mais do que você é. Quanto mais você der para o mundo, mais a vida poderá retribuir”.

Aliás, eu ganhei um quadro com essa frase de um grande amigo. Nada mais natural. :)

Busque pessoas com as quais você tem prazer em construir algo junto. Que tenham valores semelhantes, que complementem você, mesmo que sejam muito diferentes em certos aspectos. Em geral, é aí que nascem grandes times.

6. Seja uma versão melhor de você mesmo a cada dia.

Oscar Wilde disse: “Seja você mesmo, já que todas as outras opções estão ocupadas”.

Mas isso não impede que você seja uma versão melhor de você a cada dia, concorda?

Na vida, eu tentei considerar toda e qualquer experiência uma experiência de aprendizado. Boas ou ruins, sempre tentava identificar o que podia extrair delas.

No começo, é difícil. Mas quando vira um hábito, você começa a desenvolver várias habilidades bem interessantes. Análise crítica, empatia, inteligência emocional.

Você começa a ver o mundo de forma menos emocional, mas nem por isso fria. Você busca os motivos pelos quais as coisas acontecem e o que pode usar como lição aprendida no futuro.

Funciona. Mesmo. :)

7. Faça sua parte para os outros

Eu aprendi, também, que felicidade é uma questão matemática.

Se você faz apenas por você (e talvez por seus familiares próximos), até há uma probabilidade de você conseguir o que quer da vida.

Agora, se você faz pelos outros, mais e mais pessoas estarão prontas para retribuir, mesmo que seja com um sorriso, com o sentimento de gratidão, ou com um ombro no momento que você mais precisar. E isso é um combustível poderoso para sua energia. Não se trata de interesse, nem de esperar nada em troca.

Isso simplesmente vem. E é muito bom.

As coisas que fiz na vida que mais me deixaram feliz foram aquelas que fiz para tornar a vida de alguém melhor.

Uma pequena ação ou uma grande transformação, não importa. Algo que parece pequeno para você pode trazer um grande impacto na vida de outra pessoa.

Sim, a mudança está apenas começando. Mas por que esperar? Vamos fazer a nossa parte nisso tudo.

O maior valor da vida não é o que você obtém.
O maior valor da vida é o que você se torna.
Jim Rohn

Daniel Orlean

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