Falar sobre problemas nunca havia sido tão bom.

Com ela os problemas viravam assunto e deixavam de incomodar.

Primeiramente leia o texto anterior [as vezes encontramos uma mente tão estranha quanto a nossa]

Era meu aniversário de vinte e dois anos de idade, um ano e meio depois daquela terça feira de carnaval. Agora, uma segunda feira normal para o mundo, mas extremamente alcoólica para mim. Estava no fundo do carro de um amigo, ele estava me levando em segurança para casa, quando ao passar o dedo pelo celular me deparo com uma foto dela, tive que comentar, não tínhamos nenhum contato antes, aquele foi o primeiro sinal de “eu lembro de você, você se lembra de mim?”

A partir daí começamos a conversar e a entender um pouco sobre o que se passavam nessas mentes tortuosas. Foi uma fase de muitas poesias, ela gostava de todas, eu estava completamente perdido, nela achei um refúgio para poder falar tudo, sobre tudo.

Nós fortalecemos nosso relacionamento em cima dos problemas que os dois estavam passando, isso fazia com que conversássemos horas, e quando queríamos um pouco de silencio para pensar sobre algo, nada de estranho havia ali, apenas um conforto de ter alguém que entende o que você está passando.

Isso me fazia escrever sobre ela em bases diárias, eu sentia uma vontade enorme de falar sobre ela, de contar o que ela fazia, como ela ficou linda ao lado de uma poesia escrita na parede, como eu senti vontade de pegar na sua mão naquela conversa ao por do sol ou o quanto eu fiquei feliz quando peguei na mão dela enquanto voltávamos para o carro no dia que emprestei meu livro preferido pra ela.

Parecíamos estar indo num caminho lindo, mas eu não resisto, preciso destruir tudo o que toco.

Era tão lindo que eu me senti na necessidade de dar poesias a ela, os originais estão em sua posse. No momento da escrita eu não achava que eu tinha escrito aquilo, que o mérito era dela, então, as dei, são dela. Como coloco tudo de mim na poesia, essa deve ser minha maior demostração de afeto.

Então, saibam que se um dia eu morrer de maneira trágica e virar uma bela história, haverão escritos inéditos ao mundo na mão dela, achem-a.

Em breve contarei como foi que isso terminou.

Daniel Pasini

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