Malditos travesseiros.

Existe uma vontade imensurável de dormir tranquilo, sem ser atormentado pelos pensamentos. Às vezes, um sofrimento por antecipação, outras um arrependimento horrível de coisas que não teriam outra forma de se resolverem, como se eu sofresse pelo inevitável, como se fosse impossível não sofrer, que se aquela situação se resolvesse de outra forma eu sentiria a mesma coisa, um ardor no peito, uma vontade enorme de parar de pensar e esquecer tudo, parar de sentir por um momento.

Agonizante demais, as piores dores passam como vídeo repetido, coisas absurdas, falhas pequenas, vergonhas fúteis que resgatam um sentimento maltrapilho. Só de falar sobre isso já me incomoda, sei que hoje será igual, uma noite de horrores.

Minhas táticas para lidar com isso são simples, qualquer coisa que me faça esquecer de tudo e não ter de lidar com as falhas, isso pode ser álcool, tabaco, transar, ler, escrever ou simplesmente não encostar a cabeça no travesseiro. Sem este último, nada disso é necessário, se o mundo não tivesse travesseiros ele seria um lugar melhor, existiriam menos suicídios e um número quase insignificativo de viciados.

A culpa, sem sombra de dúvidas é do travesseiro, esse ser inanimado tem o poder de destruir almas. Corroer o mais feliz dos homens a ponto de transforma-lo em um trabalhador obtuso, que respira para que as sextas cheguem e morre em todas as segundas.

Jogue o seu travesseiro pela janela ou melhor, queime-o, para que não seja possível que outra pessoa seja atormentada por ele. Fuja de qualquer contato com esse perigo real e iminente, se você não fizer isso, assim como todos nós, se transformará num monstro, omisso e opaco ou precisará recorrer à loucura, só ela o poderá salvar, mesmo que a salvação seja a morte, a loucura lhe fornecerá a saída, fique tranquilo.

Incentive todos a abdicarem de seus travesseiros, ou a sociedade pode se transformar em breve em um conjunto de alcoólatras, que transarão sob efeitos de drogas diversas, dando risada sem motivo, correndo nus na chuva.

Que belo mundo seria esse.

Guarde seu travesseiro.

Esqueça o que eu falei.

Use-o.

Daniel Pasini

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