“Que saudade eu estava da sua boca”

Ela não sabe o quanto eu ainda sinto, de tudo.

Todas as vezes que ela me encontra, não importa o lugar, em algum momento farei silêncio para observa-la, enquanto mexe em seus cabelos pretos e finge que não está me vendo olhar diretamente para ela, para me dar a oportunidade de aproveitar aquele momento único.

Até não resistir e me olhar com um ar envergonhado e me perguntar o porquê de eu estar olhando tanto para ela e quando digo que não era nada, rindo da pergunta irrespondível, ela insiste querendo saber o que eu vi e o que eu estava pensando.

Mas, de fato, eu não estava pensando em nada, eu só queria entender como aquela imagem me fazia tão bem, como sua presença silencia as questões e como aquele sorriso envergonhado consegue invadir todos meus pensamentos e preenche-los por completo.

Me diz que tem medo que eu erre de novo, acha que eu não acertaria se houvesse outra chance, que estraguei tudo quando ela tentou. Não há o que eu faça, não consigo convencê-la do contrário.

Ela me disse outro dia, quando me beijou, que estava com saudade da minha boca e que eu não fazia ideia do quanto.

Se ela soubesse a falta que o cheiro dela faz, a saudade que sinto de ouvir sua risada todos os dias e o que eu faria para vê-la cantando de novo pra mim, não duvidaria nem por um segundo do quanto a quero, me daria não só uma segunda chance, como um milhão de beijos e muitos cheiros no pescoço.

Daniel Pasini

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.