Uma guerreira Sioux e um covarde contador de histórias.
Domingo, 16:33
Amanhã é feriado, faz sol em Salvador, o céu está alaranjando, estou varrendo a casa depois do tardio almoço, bebendo uma cerveja com altos percentuais de milho transgênico, nada que me tire o sorriso de satisfação.
Percebi que algo diferente estava acontecendo naquele apartamento de 44m², eu não conseguia realizar o que era, mas aquele sentimento ainda me incomodava.
Você estava lavando a louça acumulada da semana, era muita coisa, eu estava com pena, olhei para ver se já estava acabando, eu precisava te parabenizar pelo espírito AMAZONA que lhe foi concedido para encarar aquela pia.
Quando realmente te olhei, percebi o que estava acontecendo naqueles malditos metros quadrados.
A luz alaranjada te banhava, sua pele vermelha reluzia como uma índia Sioux pintada para a batalha, seus cabelos pretos, longos, pousados tranquilamente sobre suas costas, presos assim como eu te olhando, pareciam eternos. Uma obra atemporal que poderia abrir uma fenda na tênue linha da cronologia que liga o passado ao presente e nada mais era uma certeza se eu levasse em consideração o que estava acontecendo ali, naquele quadro.
Eu estaria disposto a passar todos os dias da minha breve vida com você, apenas para que eu tivesse a oportunidade de te ver, apenas mais uma vez, como naquele momento: nua, mesmo vestida.
ps. Seu nome de guerra Sioux provavelmente seria “Grandes Olhos” e o meu “Contador de histórias que nunca existiram”
Daniel Pasini
