Uma ODE aos bares.

Escrever sobre bares é tão fácil quanto sobre amores, muito fácil.

Ontem mais um vez fui me esconder no bar, como sempre fui cumprimentado por dois ou três garçons, outros dois me olharam torto, não dá pra agradar a todos.

O álcool desperta um homem diferente a cada noite, eles talvez não me atenderam nos melhores dias, já pedi desculpas, mas nem todos conseguem perdoar. Enquanto isso vou me embriagando, as vezes para esquecer, outras para lembrar.

O bar sempre me passou uma tranquilidade que eu não tenho na minha própria casa, parece que a aura do lugar transmite uma paz que só existe ali. Tudo no bar é mais charmoso, a cerveja, as mulheres, qualquer companhia num bar parece mais aprazível.

Qualquer relacionamento se torna mais intenso nesse lugar sagrado, por isso é preciso respeitar tudo o que há naquele ambiente, nunca entendi os que brigam em bares ou os que saem antes dele fechar, pra onde você irá senão ali, não há motivos razoáveis para se ir embora antes que isso realmente vire uma necessidade gritante.

Por me sentir completamente à vontade, gosto de estar sozinho, tendo a atenção total dos garçons que fingem não estar sendo chamados pelas outras mesas para me contar alguma história ou insistir para que eu demonstre meus dotes argumentativos com alguma mulher.

Não entendo o porquê da fixação dos outros em me ver conhecendo uma mulher, eu nunca fui bom nessa arte, mas meus amigos ficam em êxtase todas as vezes que cedo a pressão.

Nunca gostei de atrapalhar a paz de uma mulher pelo simples fato egoísta de querer conhecê-la, não importa a situação, acho que estou atrapalhando a paz que ela está procurando no bar, eu odeio desrespeitar a santidade deste local, se você busca a paz, merece encontra-la e maldito seja o sujeito que a tirar.

Prefiro seguir os passos que já conheço.

Estou com a mão levantada
Chamando meu patrão
Pedindo mais 600 ml de liberdade
Achando realmente
Que um dia vou achar o que procuro
Mesmo sem saber o que eu quero

Dou um corte
Escrevo um verso
Recebo um olhar
De uma mulher acompanhada
Enxugo a boca com a camisa

Peço liberdade novamente
E entrego o bilhete na mão da acompanhada
Que ela achou que estava escrevendo
Mas que tirei do bolso
Onde tinha guardado uma cópia 
Do que entreguei a outra ontem
E o bilhete dizia assim:.

- Daniel Pasini

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