Fadiga dos metais

Quando do término do meu último e ótimo namoro, uma questão começou a fazer barulho na minha cabeça. Um barulho que, de início, parecia difícil de entender. Mas que, com o tempo, ficou mais fácil. Explico: no momento derradeiro de ambos decidirmos pelo corte da relação, a minha ex-namorada, então, virou pra mim e disse: “tu é o máximo de perfeição que eu podia ter encontrado num rapaz e num namorado, mas eu preciso ficar sozinha.” A famosa frase.

Acreditei e acredito naquilo, pois, modéstia a parte, eu realmente sou um cara legal. Comecei, então, a me questionar: “bom, ela quer ficar sozinha, tudo bem. Mas e quando ela quiser ficar com alguém ou namorar outra pessoa novamente? Pela lógica teria que me procurar, não?” Depois de tal elogio, presumi que sim, teria que me procurar. Mas não. Conclui depois de horas de reflexão que não teria.

Por que eu simplesmente não era mais perfeito pra ela, e talvez não serei mais. Porque ela precisa conhecer alguém novo. Ou não, vai dela saber. Mas se quiser ter algo com alguém, precisa ser alguém novo, creio eu. Não digo que ela mentiu pra mim quando disse aquela frase, muito pelo contrário. Eu sou o mais perfeito pra ela, mas não sou, ao mesmo tempo. É confuso. Mas isso é a coisa mais natural do mundo. Ela também: é a mais perfeita pra mim, por ser uma menina sensacional, e não é, ao mesmo tempo.

Acho que eu ouvi pela primeira vez o termo “fadiga dos metais” sendo dito por um jornalista esportivo. Ele explicava que todo treinador de futebol tinha seu prazo de validade, que em determinado momento a relação do técnico com seus jogadores sempre vinha a se desgastar. E usou o termo pra ilustrar tal cenário. Seria frequentemente necessário, portanto, que a diretoria do clube, de tempos em tempos, trocasse de comandante.

As pessoas, em sua maioria, eu noto, precisam sempre estar em contato com alguém novo. Os relacionamentos vão se desgastando, mesmo que façamos coisas pra evitar esse processo. O cérebro da maioria das pessoas está sempre em processo de insatisfação com a mesmice. “Insatisfação”, nesse caso, não é nada ruim. É natural, é humano. Desde sempre somos assim. Foram dois anos com a mesma pessoa. Na maioria das vezes, essa pessoa acaba, aos poucos, não sendo mais ideal pra ti, infelizmente.

E, quando da sofrida troca de comando, o time, mais cedo ou mais tarde, passa a jogar bem novamente.

Maldita fadiga dos metais.

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