Discurso dos oradores da turma 2ª/2016 da Faculdade de Direito da UFJF

DANIEL — Boa noite a todos que compõe a mesa, professores, amigos e familiares.

INGRID — Toda pessoa é movida por sonhos. Algumas vezes é preciso ter paciência e perseverança para que ele possa se realizar. Temos que lutar contra todos aqueles que dizem que esse sonho é impossível. Você sabe que não é. Você o define como uma meta e corre atrás dele até que, quando menos espera, você chega lá. Um sonho que se torna uma possibilidade e, de repente, uma realidade. É verdade que no meio do caminho dificuldades aparecem, mas temos que acreditar que isso fará com que o resultado seja ainda melhor.

DANIEL — Quando fomos aprovados no vestibular, passamos por apenas uma das tantas provações que surgirão no caminho da realização dos nossos sonhos. E esses mesmos sonhos nos uniram nessa longa jornada que aqui encerra apenas uma de suas etapas. Uniram pessoas diferentes, pessoas de lugares diferentes, com ambições diferentes, mas que, para alcançar seu sonho, tiveram que passar pelo mesmo caminho. E nossos caminhos se cruzaram.

INGRID — Quando temos uma mistura tão heterogênea, não se espera a união. Mas essa não é a nossa realidade. Falar dessa turma, é falar de amor, de companheirismo, de solidariedade. De ajudar sem esperar ser ajudado. E, ainda assim, receber ajuda em troca. É sofrer juntos com as provas. Mas também comemorar junto a conquista de cada um. É ficar indignados com a injustiça e, juntos, todos se levantarem para defender o injustiçado. É compartilhar. É torcer pelo outro. É ser uma grande família. Essa turma é única na casa de colucci.

DANIEL — Para demonstrar do que estamos falando, faremos uma pequena brincadeira. Peço que todos os formandos fiquem de pé.

Edgar Gouveia realizou na Amazônia e chama TOCO COLO e acreditamos que ela representa muito o que vivemos nesses últimos anos. Passou rápido, foi divertido e estivemos muito juntos.
- Quem aqui acha que merece viver num mundo melhor, fica de pé!
- Quem acha que merece viver em um mundo melhor e tem um talento que poderia contribuir levanta a mão direita. Da uma olhadinha ao lado.
Ninguém tá interessado, só isso não muda o mundo.
- Quem aqui tem um amigo que não está aqui e que pensa o mesmo que você coloca a sua mão no ombro do colega ao lado direito. TOCOU COLOU.
- Agora levanta a mão esquerda, lembrando de outro amigo totalmente diferente, diversidade é importante e coloca a mão no ombrinho de outro coleguinha. Toco colou.
- Com o seu pé direito, coloca em alguém lembrando daquela sua amiga popular que vai conseguir trazer todo mundo e cola esse pezinho em quem está do seu lado!
- Falei que foi rápido, divertido, mas não fácil!
- Agora é com o pé esquerdo conecta com outra pessoa do seu lado!
- ta fácil? Ainda tem mais recurso sobrando.
Agora o seguinte, com a sua cabeça, com a sua inteligência e recosta a cabecinha no coleguinha do lado que pode.
Eu vou contar ate 3 e todo mundo da três pulinhos e um mortal de costas.

https://youtu.be/JUrpXAhFGkE

INGRID — Gostamos de fugir do clichê e fazer essa brincadeira no meio do nosso discurso para mostrar a vocês, na prática, como essa turma viveu todos esses 5 anos: conectados, de fato, enfrentando o mesmo desafio. Cadernos compartilhados, as vezes durante a prova também… Lutamos juntos para adiar, antecipar e, as vezes, até suspender as provas. Compartilhamos nossas histórias de vida, seguramos os amigos para seguir em frente quando pensávamos em desistir e até aqui chegamos, juntos!

DANIEL — Em discursos de formatura de turmas de direito, muito se fala sobre a justiça. Mas a nossa sala (e isso apenas confirma o quão especial ela é), a precede e vive com aquilo que é necessariamente anterior a ela: a igualdade. A despeito de todas as nossas diferenças: militares ou civis; homens ou mulheres; negros ou brancos; homo ou heterossexuais; casados ou solteiros; de esquerda ou direita; a igualdade na forma mais crua e sincera de nos olharmos como seres humanos estava presente em todos os momentos. Só assim podemos ter a tão falada justiça .

INGRID — Quando entramos na faculdade, preservávamos uma ingenuidade, uma inocência sobre o mundo do direito e da justiça. Achávamos que a justiça é feita no judiciário, que a lei é justa e, mais, que ela é cumprida. Mas, ao longo desses 5 anos, descobrimos que não é assim. Vimos injustiças ao longo da nossa vida acadêmica, seja na faculdade, seja nos estágios, seja no noticiário. Mas, amigos, não percam essa ingenuidade e inocência. Continuem acreditando na justiça. Não deixem que isso afetem o modo que vocês veem o direito. Não se permitam trazer um cinismo e aceitação de todas as coisas que estão erradas. Estamos iniciando nossas carreiras e a justiça está nas nossas mãos. Devemos fazer a nossa parte. Ser humanos e justos, da mesma forma como vivemos estes últimos 5 anos juntos.

DANIEL — Pedro Felipe de Oliveira Santos, que ficou conhecido como o juiz federal mais novo do Brasil, em seu discurso de posse, disse que o judiciário não governa. Todavia, uma vez provocado, evita o desgoverno. O poder judiciário não legisla, mas soluciona crises legislativas. O judiciário compõe e equilibra as forças entre os poderes. Hoje, vivemos uma crise que nos faz questionar as bases do sistema. E, principalmente em momentos como esse, precisamos lembrar que as instituições são as pessoas que a ela se integram. Temos que assumir esse projeto. O judiciário é a porta ultima dos desesperados. Todo direito tem que ser uma tentativa de direito justo e nós temos o poder de mudar o cenário atual.

INGRID — Ao longos desses anos de faculdade, ainda adotamos e fomos adotados por outros alunos. Surgiam alunos, seja porque vieram de outros cursos, seja porque repetiram uma matéria ou outra, e eles foram ficando. Sem querer, querendo, começaram a compor essa família. Pessoas especiais que temos a sorte de ter. Ganhamos grandes companheiros nessa jornada. E não só alunos. Ao longo desses anos de faculdade, ganhamos verdadeiros amigos na figura dos professores. Professores que conquistamos e que nos conquistaram com seu companheirismo e maestria em ministrar aulas. Aliás, nesses 5 anos de faculdade vivemos muitas coisas.

Recebendo o diploma do nosso paraninfo Márcio Faria

DANIEL — 1º período

As monadas FC foram criadas e ganharam o campeonato interperíodos. Monadas, alias, é um conceito filosofico de Leibniz, que significa único, indissoluvel e indestrutivel. É a representação do espírito da nossa turma.

INGRID — 2º periodo

Realmatismo fc foi vice-campeão no interperiodos. E passamos pela nossa primeira greve.

DANIEL — 3º periodo

Estudamos no natal, no carnaval e, ainda, sofremos com direito Penal I (alguns 50% ficaram no meio do caminho). As Monadas fc foram vice-campeãs.

INGRID — 4º periodo

Vivemos o quarto do pânico, sobrevivemos ao direito penal II, e os membros da nossa sala fundaram e consolidaram a primeira Empresa Júnior do Curso, a Colucci, hoje referencia nacional, demonstrando que é possível a formação de juristas empreendedores

DANIEL — 5º periodo

Estudamos no natal e no carnaval. De novo.

INGRID — 6º periodo

Sobrevivemos ao Direito Financeiro.

DANIEL — 7º periodo

Sobrevivemos a Decisão Judicial e meios de impugnação. Embora alguns também tenham ficado para trás. As Monadas foram campeãs.

INGRID — 8º periodo

Realmatismo foi campeão e Monadas foram campeãs no futsal e na queimada.

DANIEL — 9º periodo

Greve. De novo. Nesse momento já duvidávamos de quando conseguiríamos formar. Sobrevivemos ao Direito Urbanístico.

INGRID — 10º periodo

Sobrevivemos a monografia. As Monadas foram, novamente, campeãs no futsal e na queimada.

DANIEL — E, nesse contexto, nos deparamos ainda com a grande dúvida: o que fazer agora? Formamos e temos um mundo de possibilidades. Amigos, não descansem até encontrar o que amam, não se acomodem. Como tudo relacionado ao coração, quando você encontrar, terá certeza que é aquilo. Precisamos sentir paixão por aquilo que fazemos. Escolher um trabalho para a vida toda é uma escolha difícil e que envolve grande responsabilidade. É uma vida de trabalho. Mas quando você encontrar sua paixão, não será trabalho. Será uma realização pessoal diária. Não se esqueçam disso.

INGRID — E não somente ao nosso mérito devemos essa vitoria. Quando descermos daqui, vamos nos encontrar com vocês, abraçar e dizer “muito obrigada”. Vocês nos deram o mais essencial para estarmos aqui: amor, estimulo e compreensão. Pais, irmãos, cônjuges, filhos, familiares e amigos, hoje, a nossa imensa alegria, é a sua alegria. Estejam ou não aqui nesse momento, vocês são parte essencial na conquista de mais essa etapa.

Obrigado!

Juiz de Fora, 15 de setembro de 2016.

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