Eles falam para quem está chegando: os Zs

Sexta 11.03 foi um dia carregado de uma energia muito contaminante aqui em Austin. Foi a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos — ou @POTUS como é o “handle” nas redes sociais deste líder, um avatar mais apropriado à nossa era — visitou a SXSW em 30 ANOS. O clima era de expectativa, emoção, ansiedade, proximidade, rock star, como uma colega disse aqui em um dos artigos.

Até por isso foi difícil assistir a outras palestras. Casey Gerald ganhou toda a audiência que estava lá pelo Obama, foi como um show de abertura. Este ano os “keynote speaks” foram colocados bem longe do Austin Convention Centers, curiosamente em um teatro que foi construido com dinheiro da Fundação Michael and Susan Dell, sim, o fundador da Dell Computers e sua esposa, empresa que tem sua matriz aqui em Austin. Curioso porque a Dell nunca patrocinou o evento, sendo HP, IBM, intel, Samsung, as marcas que investem um bom dinheiro por aqui.

Muito já se falou do discurso cantado de Casey. Sua voz suave parecia que estava declamando um poema cuidadosamente ensaiado. Sinceramente não sei se funcionaria no Brasil. Aqui se aplaude por tudo, e não vejo nenhuma novidade nas palavras dele. Mas seduz muito o público americano pedir para olhar os problemas graves dos mais excluídos, que pode estar nas simples atitudes, e não em super-produtos “disruptivos”. Discurso bem aderente à Geração Z.

Obama conseguia acalmar a rapidez ácida de seu entrevistador, o editor-chefe do principal jornal aqui do Texas. Ele vinha como uma metralhadora, e Obama tratava a plateia como se fossemos todos amigos. Difícil encontrar outro presidente assim. E para quem pode acompanhar e ler os artigos da outra palestra sobre Geração Z, podia entender o quanto o digital e tecnologia ainda ia evoluir na nossa relação com o Estado. Tanto para participar das mais diversas decisões, das mais simples, até as mais complexas, como a escolha do presidente, quanto para ser realmente vigiado. E neste ponto Obama ficou numa “saia justa” mas teve que ser transparente: vigiamos sim cidadãos de outros países, e para os americanos precisamos oferecer proteção contra os crimes cibernéticos. Ou seja, precisamos vigiar também, não tem jeito.

O fato é que nas festas, nas ruas, nas filas, é fácil olhar o mundo que estamos preparando para esta nova geração que entra forte em nossa sociedade. Pessoas que vão dominar o mercado de trabalho a partir da próxima década e viverão em um mundo baseado em snaps, hashtags, VR, AR, todos os objetos conectados e inteligentes. Que foi o que acabei de escutar aqui na palestra que relacionou VR com Marketing. Mas este será o tema do próximo tema.

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