A natureza, essa vadia

Nada acontece. Feijoada.

O fascínio que o futebol exerce não é à toa: ao brincar com o imponderável e desafiar a lógica, ele cativa multidões nos quatro cantos do mundo. Há quem diga, até, que o esporte é capaz de explicar o mundo.

Talvez sim.

Mas a magia do futebol não é soberana. Invariavelmente, quem tem mais dinheiro para investir, trabalha com mais afinco, tem mais talento, é mais organizado e almeja mais a vitória sairá vencedor. Não é uma regra — mas vale como tendência: a bola não entra por acaso.

Sabe como é. Não existe favoritismo no futebol.

O campeonato gaúcho de 2015 é um ponto dentro do gráfico da previsibilidade. De um lado, um clube em anunciada contenção de gastos, de outro, altos investimentos.

A qualidade cobra seu preço

No Gre-Nal decisivo, Felipão substituiu Braian Rodriguez (o centro-avante de 28 anos e 58 gols, que ganha R$ 100 mil mensais) por Yuri Mamute (a quem o técnico recentemente pediu publicamente um aumento de salário).

Aguirre não se compadeceu com a míngua tricolor: sacou Nilmar (cujo salário supera os R$ 400 mil) para escalar Lisandro López (que já acumula 190 gols na carreira).

Os números são específicos e não explicam o resultado do clássico em seu contexto — a diferença de prioridades dos clubes, os erros individuais de seus atletas, a velocidade colorada, a ineficiência gremista e a atuação de Vuaden foram mais decisivos — , mas simbolizam uma diferença crucial que, embora não tenha se refletido em um placar elástico, pode explicar o título colorado.

“O Inter venceu dentro de campo, não temos o que contestar.” (Felipão, sincero)

A verdade é que ainda sofremos na mão da natureza. Mesmo com incontáveis avanços tecnológicos, investimentos bilionários em medidas de prevenção e aclamação a todos os tipos de divindades, seguimos vítimas de sua força.

Competir com ela é se submeter.

É duvidar da gravidade, negar a física, desafiar o inevitável.

É escalar Braian Rodriguez e querer ser campeão.

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