Meu esgotamento, meu tempo longe do tango e o maestro que me conduziu de volta

O caminho que levou à decisão de fechar a sede do Ganas não foi simples, nem leve, nem indolor. Na minha história, houve dois momentos em que joguei a toalha, terminando de joelhos e entregando os pontos. Um deles foi em meados de julho deste ano. E culminou no encerramento de um espaço que ficou pra história do tango em Porto Alegre e no coração de muita gente querida.

O que aconteceu no período que antecedeu este fim de ciclo foi um processo de desumanização, onde me esqueci quem eu era exatamente quando estava aparentemente mais perto de mim. Terminei com o quadril e o coração machucados, e completamente sem energia.

Em seguida, no processo de me reconectar, busquei uma aula de percepção musical, pois queria desenvolver meu senso melódico na hora de cantar. Casualmente (como se pudesse ser casual!), o professor que escolhi foi um cara que tinha me assustado 2 anos antes ao me dar um vislumbre do que seria o seu trabalho. Casualmente (de novo?) o lugar das aulas era o CCCEV, meu berço como professor de tango e mobilizador da comunidade.

Na primeira aula coletiva já vi que a coisa ia ser diferente: cada aluno ganhou um abraço de 20 segundos (que sempre dura mais) antes de mais nada. E um abraço de verdade. Depois, ao invés de nos ensinar notas e coisas assim, ele começou nos fazendo entender o que é a percepção em si. Este cara é o Renato Borba.

Imediatamente propus fazermos 3 aulas particulares por semana, pois minha intuição me disse pra fazer assim. Minha mente ainda achava que estava buscando aulas de canto, mas meu corpo sabia que era mais.

Por quase um mês, tudo que o Borba fazia era para me reenergizar. Muito abraço, trabalho com as mãos, numa versão borbeana do reiki, e até cócegas! Muita risada, muita sensação, mas principalmente muita doação de energia. E quase nada de canto até meus chakras estarem equilibrados novamente. Especialmente os chakras básicos, "que estavam secos, guri!" :)

O resultado desta primeira fase do trabalho foi a recuperação mais rápida que já vivenciei: de um bagaço energético passei a ser uma fonte de energia e consciência que me transformou como artista, como marido, enfim, como ser humano.

E o lugar onde esta transformação ficou mais aparente foi na pista de baile. Comecei a perceber que eu estava dançando com todo meu ser em uma parcela muito maior do tempo, e que coisas que antes eu fazia pensando agora eu fazia intuindo.

Foi incrível: o que eu busquei pra dar um tempo do tango teve seu maior efeito justamente no meu baile. Tanto que para uma segunda etapa do trabalho com o Borba, onde nos aprofundamos no que é ser artista e usar o corpo todo com consciência, acabamos trabalhando dança e não música!

Com o passar do tempo, ao perceber que eu fazia até mais perguntas sobre o método do Borba do que sobre o meu processo em si, fui sentindo um chamado pra voltar a ensinar. Muitos dos insights que me vinham tinham a ver com como eu agi como mestre no passado e como no futuro eu iria agir diferente. Meu trabalho não seria mais o mesmo.

E realmente não foi. De lá pra cá iniciei um programa que integra tudo que eu sou e que posso trazer. Totalmente inspirado no Borba, agora eu olho para cada pessoa e sinto o que ela está precisando dentro de um leque infinito de possibilidades. Já temos no grupo, entre outros:

  • Uma tanguera extremamente sensitiva com quem resolvemos questões técnicas da dança ao trabalhar a percepção das energias sutis
  • Um romântico que tudo o que quer é surpreender a mulher na pista de baile e se desenvolve mais aprendendo passos complexos do que de qualquer outra forma
  • Um funcionário público que precisa lidar com uma separação e vai usar o tango para isto
  • Uma tanguera experiente que quer encontrar o caminho de volta

Quando a Laura e eu fechamos o Ganas eu decidi dar um tempo do tango, imaginando não voltar a trabalhar com isto em 2016 e provavelmente em 2017 também. Mas dizem por aí que não é a gente que escolhe o tango, é ele que escolhe a gente.

E ele me escolheu mais uma vez: depois de poucos meses afastado eu estou de volta como nunca, numa versão turbinada, mais humana, mais artística e mais feliz! Tudo isto graças ao encontro fortuito com o maestro Renato Borba, por quem desenvolvi um grande amor e uma infinita gratidão :D

Se eu despertei a tua curiosidade pra conhecer mais do Borba, recomendo conversar com ele no Facebook. Ele adora responder comentários de pessoas desconhecidas!

Mas se o Facebook é pouco pra ti, como é pra mim, recomendo muitíssimo o Encontro - 2016, que vai acontecer neste domingo, dia 18 de dezembro. É um super show com os orientandos da oficina de composição do Borba, que passaram por processos tão profundos quanto o meu até chegarem nas composições que serão apresentadas.

Que tal, hein? Vamos? Eu vou!

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