Matrix Reloaded: Um ensaio sobre referências imaginárias.

Decidi escrever sobre “Matrix Reloaded” depois de ler muitas críticas que não cobriam aspectos interessantes que, ao meu ver, colocam em questão se esta sequência merecia ser tão negativamente avaliada. O que está aqui provavelmente tem relação com minhas experiências e leituras, antecipo que tem a ver com meu olhar de analista de sistemas (detectando padrões), aspirante a filósofo de boteco e entusiasta das teorias da complexidade. Mas tanto escrevo pensando ser desnecessário qualquer conhecimento prévio nessas áreas, como não as tenho como meu alvo principal. Vejo o filme dos irmãos Wachowski (autores e diretores) preocupado não só com estética, mas com a simbologia de suas imagens e referências. Esta não só ajudam a contar a história, mas contam outras coisas em paralelo, complementando-a. É como se fosse possível ver o filme tal como Neo faz ao ver o código verde compondo a realidade da Matrix, descobrindo que por trás do aparente filme de ação há algo mais, como as inúmeras referências que vão do “pop” ao “ocultismo”. Mesmo que não tenha sido intencional (e não estou discutindo isso), existem diversos elementos que me despertaram inesperados significados e sentimentos. Para deixar mais claro, não quero discutir e nem afirmar aqui se são verdadeiras tais referências. Digamos que sejam coisas da minha cabeça mesmo e o que farei aqui é apenas “esticar” o filme com minhas próprias ideias. Essa vontade surge quando percebo alguns temas tratados, temas antigos e polêmicos que permeiam a história humana desde o seu começo, normalmente discutidos pelo que se convencionou chamar de Filosofia, área do conhecimento que “surgiu” na tentativa de explicar de forma mais racional o que o homem no princípio só explicava por meio de crenças e mitos. Ela serve àqueles que questionam, àqueles que não aceitam um simples “Era para ser assim”, portanto, uma ferramenta valiosa aos que desejam descobrir o por quê das coisas. E, segundo o personagem Merovingian, saber o por quê das coisas é ter poder. Imagino que para ele, poder seria manipular tudo e todos ao seu redor, seja natureza ou indivíduos. Aliás, esse parece ser um dos desejos recorrentes na história da humanidade, não? O que nos remete a pergunta, o que é Matrix? Já no primeiro filme temos a resposta através de uma fala de Morpheus:

Controle

No filme o controle parece ser exercido pelas máquinas, afinal, elas cultivam os humanos e os usam como meras pilhas. Elas, que são um dos grandes frutos do racionalismo humano, defendem a visão racional das coisas, por meio de uma razão que vai além do percebido e sentido. Há muito em comum nessa visão com a de Descartes, filósofo que os Wachowski notoriamente fazem referência. Para Descartes, o corpo humano era uma máquina e a realidade funcionaria como um relógio. Suas idéias encontram eco no pensamento moderno e é fato que muitas conquistas foram possíveis graças a elas. Mas afinal, conquistamos o quê? Para quê? Até que ponto sua visão se mostra adequada? Chegamos onde queríamos? No trecho abaixo, uma visão alternativa sobre Descartes:

“A certeza cartesiana é matemática. Descartes acreditava, partindo de Galileu, que a chave para a compreensão do universo era a sua estrutura matemática. Seu método, pois, consistia em subdividir qualquer problema a seus níveis mínimos, separar as peças que constituem o relógio, reduzindo tudo até seus componentes fundamentais para, a partir desse nível, se perceber suas relações. Esse método é analítico e reducionista. Não aceita que um todo possa ser compreensível como uma totalidade orgânica ou que este todo possa ter características que superem a mera soma de suas partes constituintes. Assim, ele negligencia um quebra-cabeças montado como sendo, em seu todo, um sistema significativo. Só a inter-relação lógica das peças — se houver — é que, para o método cartesiano, nos dará uma compreensão de todo o quebra-cabeça, o que, convenhamos, é um absurdo quando tomado como regra geral, e não como regra para alguns fenômenos. Esta ênfase no método analítico tornou-se uma característica essencial do moderno pensamento científico. Foi ele que possibilitou levar o homem à lua, mas sua excessiva dominância nos meios científicos também levou à fragmentação características das especializações dos nossos meios acadêmicos, plenos de cientificismo, e no nosso pensamento em geral. Este método, tomando como um dogma, levou à atitude generalizada de reducionismo em ciência — a crença de que a compreensão de partes que constituem um todo (sem levar em conta inter-influências ambientais ou não lineares) podem ser adquiridas plenamente pela análise.” (Guimarães, 1997)

Notem que a primeira imagem do filme é o código da Matrix formando um Relógio, símbolo que representa bem as idéias de Descartes. De fato, talvez o próprio advento do relógio tenha influenciado suas teorias. Fato é que ganhou força a mecanização do saber humano. A realidade viria de engrenagens funcionando matematicamente em prol de um objetivo, ou razão. E ao dominarmos a criação de engrenagens físicas, projetamos esse modelo a tudo mais, buscando entender as engrenagens do próprio universo através da desconstrução de suas entidades. O que acontece é que diversas vezes as explorações com base nessa idéia (como muitas de cunho apenas “científico”) deixam de lado uma “engrenagem” fundamental, a Vida, onde enquadramos o próprio ser Humano, não apenas como uma das engrenagens, mas também, muitas vezes, como causa e fim. Para as máquinas do filme sua fonte de energia vem das “pilhas humanas”, portanto, recurso vital para elas. Mesmo assim, essas pilhas são tratadas com certa insignificância e indolência, como se existissem apenas para servir, o que não difere muito de nosso comportamento real em relação ao nosso meio-ambiente e, algumas vezes, nossos próprios semelhantes, ao agirmos como se fossem objetos (ou seja, sem vida). Trazendo isso para um contexto político-social isso se reflete até mesmo nas práticas das grandes potências em relação aos países subdesenvolvidos, mudando apenas as dimensões. Algumas críticas consideraram o filme simpático às idéias do Presidente Bush, quando na verdade percebo o contrário. O Filme critica o acúmulo de Poder e aqueles que o buscam cegamente (“O que homens de poder querem? Mais poder”). De certa forma critica até mesmo os líderes fundamentalistas cegos em suas crenças, como o próprio Morpheus, que em certo ponto incita uma massa de “fiéis” em um discurso político-religioso. Neo diz que a profecia era uma mentira, indicando que Morpheus não estava de todo certo. Quando Morpheus diz que esta é uma guerra, na verdade ele está entrando no Jogo do adversário. Um aparente ato de rebeldia que na verdade está dentro de um contexto de controle maior. Talvez o problema seja a procura de uma solução unilateral. Ninguém é dono absoluto da verdade, daí governos totalitários e bélicos como os de Bush serem associados ao de Hitler, tal como associado nos monitores encontrados na sala da conversa de Neo e o Arquiteto. Aos arrogantes que se acham superiores e donos da razão, como Merovingian, lhes é dada a lição, sua derrota chega daqueles que menos se considera, no caso dele, Persephone. Como ele mesmo sugere numa fala, a mulher seria sua possível ruína. Assim como, de maneira oposta, por trás da ascensão de Neo havia Trinity. É como se a Realidade se estabelecesse na interdependência de opostos e tudo mais entre eles. Aqueles que detêm o Poder dependem mortalmente dos oprimidos, tal como retratado na conversa de Neo e o conselheiro, quando o primeiro comenta o suposto controle que eles possuem sobre as máquinas que mantém Zion viva. Se eles estão no controle porque podem desligá-las, como desligá-las se delas dependem sua sobrevivência? Quem acha que precisa controlar algo antes de tudo se percebe ou se imagina dependente deste. É criar um potencial de perda onde antes talvez nem existisse. É a contradição do poder. É construir enormes e imponentes Torres ignorando os arredores e achar que nunca vão cair (“… sem levar em conta inter-influências ambientais ou não lineares”). Espero que o advento do computador influencie novos pensadores e que não fiquem presos a metáfora como Descartes. Na verdade já vivemos essa influência, falamos em sistemas interligados em redes, não? A complexidade aumenta, a realidade se mostra um emaranhado de coisas engrenadas e não-engrenadas que ainda por cima se influenciam. Ironicamente a primeira imagem do filme, o relógio que citei, aparece dentro de um

Sonho

de Neo. Sonhos são um emaranhado de idéias e símbolos vindos do inconsciente, nos dando recados sobre a realidade e que muitas vezes ignoramos por virem codificados de maneira “irracional”. Podemos não ter controle sobre os sonhos ou o inconsciente, mas fato é que eles se fazem mais presentes do que possamos imaginar. Mesmo parecendo caóticos e pouco relevantes, nos são de grande importância por estabelecer o equilíbrio entre consciente e inconsciente, compensando posições unilaterais e não-naturais que o primeiro assume. Não me parece acaso então que, Morpheus, cujo nome nos remete ao Deus grego dos Sonhos, com sua fé na profecia e sonho de libertar os humanos, ajude Neo a acordar para a Realidade (ou pelo menos uma delas). Irônico, não? Nem tanto. Contra o controle e a realidade das máquinas temos a fé e os sonhos dos humanos, o que reforça a idéia do embate entre racionalidade e irracionalidade. É certo que as máquinas do filme possuem problemas com o elemento irracional, ou ainda, com aquilo que não se pode controlar. Afinal, por mais que se deseje o contrário, mesmo em meio à ilusão da pura razão existe a “não-razão”, existe a falha que diversas vezes se apresentam no filme, como por exemplo, nas anomalias e programas exilados. Parece bastar tentar impor o controle para ter que lidar com o que não se pode controlar, e o que não se controla muitas vezes é visto com desconfiança. A maioria das pessoas, em percebendo em si mesmas aspectos que não controlam, as enxergam como fraquezas ou pecados. E o que fazemos normalmente com elas? Ignoramos, rejeitamos, jogamos lá pro fundo do baú… O que é uma pena, pois muitas vezes existem verdadeiros tesouros perdidos nas profundezas de nossas mentes e corações.

No filme, a fraqueza das máquinas, seu calcanhar de Aquiles, se mostra representado principalmente pelas mulheres. Faz sentido. Nos mitos antigos as mulheres sempre estavam mais próximas da natureza e dos sentimentos. Eram delas os papéis das incompreendidas bruxas e oráculos, pois acreditava-se que por serem portadoras da vida durante a gestação estariam mais ligadas à natureza. E sendo a natureza controladora de tudo (como julgado na época) teriam acesso mais fácil aos seus mistérios. Na tela, o positivismo masculino encontra seu antagonismo em figuras como Trinity e Persephone. O Amor da primeira e a necessidade de amor da segunda foram capazes de trazer o desequilíbrio das regras que a Matrix ilusoriamente achava ter sob controle. Elas se mostram “fora de controle”, agindo conforme suas vontades, ou ainda, agindo “irracionalmente”… Tal é a importância desse elemento, o irracional, que mesmo a Matrix se viu forçada a usá-lo na concepção de sua realidade, uma vez que o (Grande) Arquiteto precisou de uma contra parte feminina menos “racional” e mais inteirada das “imperfeições” da mente humana para dar sustentação a sua criação. Mas, afinal, do que se trata esse conceito “irracional”? Seria a negação da razão? Aquilo que é imprevisto? Ao que dá na telha (vontades)? Cabe aqui, para melhor esclarecer essas noções e pontos posteriores, uma rápida incursão sobre a escola filosófica dita Irracionalista, representada aqui pelas idéias de Schopenhauer:

“Para Schopenhauer, o mundo se apresenta, ao mesmo tempo, como representação e vontade. Ele afirma, ‘o mundo é minha representação’, porém representação ilusória, pois é percebido por intermédio do ‘véu de Maia’ que, para filosofia hindu, representa o tecido de fenômenos que cobre, esconde a face das coisas. Como postula Kant, os fenômenos são submetidos às formas a priori do espaço, tempo e a categoria da causalidade. Contudo, Schopenhauer assume apenas essa última categoria, a causalidade.” (Silva)

“[A vontade] é o único elemento permanente e invariável do espírito, aquele que lhe dá coerência e unidade, que constitui a essência do homem. A vontade seria o princípio fundamental da natureza, independente da representação, não se submetendo às leis da razão. (…) As formas racionais da consciência não passam de aparências e a essência de todas as coisas seria alheia à razão: ‘A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a Crosta’. (…) A vontade é, acima de tudo, uma vontade de viver e de viver na máxima plenitude. Ela triunfa da própria morte graças à estratégia da reprodução, que a torna imperecível.” (Anção, 1998)

No filme, a idéia de que por trás de todas as coisas havia a Vontade está associada aos Humanos. Durante a conversa com Merovingian, Morpheus chega a falar que tudo começa com a Escolha, pré-requisito para a manifestação da Vontade. Ironicamente, é justamente por essa chance de escolher, de forma inconsciente, que os humanos são ou não “pegues” pela Matrix, ou seja, quando passou-se a respeitar a força de suas vontades e procurou-se seduzir ao invés de impor, conseguiram mantê-los adormecidos e úteis (como fonte de energia). Foi a percepção desse livre arbítrio que possibilitou a Matrix maior “controle” sobre os humanos, onde, segundo o Arquiteto, este “controle” se aplicaria não só às pessoas seduzidas pela realidade proposta (cerca de 99%), mas também aos que não se submetiam a ela, no caso, o 1% restante que seria formado pela anomalia, Neo, e os “rebeldes” que se agrupavam em Zion. Seria como se as falhas sempre pudessem ser isoladas e facilmente contornadas, desde que conhecidas à priori, previstas. A chave desta percepção e também da estratégia “infalível” das máquinas residia na única coisa em que acreditavam, ou melhor, conheciam: A Razão. E por cinco gerações da Matrix aparentou funcionar, pois para evitar o cataclisma mencionado pelo Arquiteto, assim como a morte dos humanos ligados à Matrix, os “Neos” passados foram pela porta da direita, para a fonte, o que de fato parece mais lógico e racional. Mas eis que o sexto predestinado opta pelo lado esquerdo, pelo irracional, pelo amor. Mesmo tendo em mente que estaria colocando em risco toda a raça humana, pois segundo o que lhe foi dito, além do cataclisma do sistema, seria inevitável a destruição de Zion. Para embasar essa decisão ele não tinha nada certo, ou concreto, o que tinha era apenas a esperança de que poderia fazer a diferença no final. Ou melhor, sua esperança, sua fé, é que fez a diferença já daí.

A quebra do ciclo criado pelas máquinas só foi possível graças a oportunidade da escolha. Interessante perceber que mesmo com todo seu poder as máquinas dependiam de escolhas, tanto a escolha inconsciente de cada ser humano nascido em suas colheitas, como também a escolha do Escolhido. Podemos dizer, então, que a chave de uma possível vitória humana residia na Escolha, na Vontade? Talvez. Mas com certeza não apenas nisso. Assim como as máquinas precisaram de algum tipo de elemento irracional, os humanos usaram máquinas e ciência em prol de sua sobrevivência. Controle não pode ser encarado como algo intrinsecamente ruim, essa não é a questão. Por exemplo, numa interpretação alternativa, Neo na verdade não escolheu nada, embora não tenha sido “controlado” pela razão, suas emoções acabaram controlando-o. Ou seja, talvez não exista meios de fugir de algum tipo de controle, ele estaria presente quando o percebemos sob a forma invisível de Destino, Instinto, ou ainda, para ser mais atual, pré-disposição genética. Não cabe aqui analisar qual ponto de vista está mais correto ou o que os irmãos defendem, se é que defendem. Fato é que os Wachowski se mostram bastantes coerentes sobre a escolha de Neo. Uma justificava para ela pode vir da fala do personagem Mouse no primeiro filme, “Negar os nossos impulsos é negar aquilo que faz de nós humanos”. Daí a escolha de Neo ser a mais humana, ou a mais anti-máquina possível, no momento em que escolhe salvar a

Vida

de seu amor. Por sinal, esta seqüência trata de “Vida” de acordo com palavras de seus próprios criadores. O primeiro teria a ver com nascimento e o último, morte. Sendo assim, fica claro o motivo do destaque às cenas de dança após a pregação “político-religiosa” de Morpheus, entrecortadas por rápidas cenas de sexo (ou quase isso) de Neo e Trinity. Aquilo é uma celebração da vida, um lembrete que a vida não se refere apenas à ação e ficção que permeiam o filme. Muitas pessoas se sentiram incomodadas com aquilo, mas acho que foi algo bem calculado pelos autores. Um tapa naqueles que esquecem que esses irracionalismos e impulsos fazem parte da vida mais do que gostariam, afinal, não se espera ver esse tipo de coisa num filme “ação cerebral” como Matrix. Por sinal, parece haver alguns elementos desagradáveis aos fãs extremados do primeiro filme, desde a reduzida importância às armas de fogo (que geraram polêmica no primeiro), assim como quando o personagem Kid, que lembra fãs da série, recebe de Neo uma resposta como, “Eu não te salvei, foi você que se salvou”. Só faltou dizer, “Vai viver a vida garoto!”, o que naquele momento era o que Neo gostaria de fazer ao lado de Trinity. Depois de meses numa nave paramilitar em missão é natural que ambos desejassem contato mais… Íntimo. Hackers também amam! Vem no pacote da vida. Nascer, crescer, reproduzir… Sendo este último “mecanismo” fundamental para inciar novos ciclos. Por sinal, a palavra “Neo”, além de “One” (“Um” em inglês), também é anagrama de “Eon”, que em grego significa justamente “ciclo”, não à toa os vários “Neo” são o critério do Arquiteto para estabelecer a versão da Matrix.

Ainda sobre reprodução, é curioso ver que o agente Smith faz o equivalente disso no mundo das máquinas ao se reproduzir tal qual um vírus de computador, mas convenhamos, sem a mesma graça. Já Merovingian, na cena após o encontro no banheiro feminino, trata a questão sexual como se fosse um Jogo. Seria também para as máquinas, a vida, um Jogo? Seria essa a razão para o filme também parecer um Jogo de Videogame? Onde cada fase tem uma luta? Onde existe um chaveiro que parecido com “passwords” pode levar até às fases secretas? Se foi intencional não sei, mas acho que essa equivalência a um jogo torna o filme menos fluído que o primeiro. Não só as lutas, mas as informações também são excessivas. Uma revista em quadrinhos, por exemplo, permite que o leitor folheie as páginas e processe informações no seu ritmo, até mesmo volte páginas facilmente, mas num filme, ainda mais num cinema, a coisa não é bem assim. De qualquer forma, esse volume de informações torna divertido encontrar as inúmeras referências e

Conexões

que são feitas no filme. Concordo também que não é por ter milhares de referências que o filme se torna bom, mas é inegável que uma série de referências bem costuradas podem torná-lo mais interessante, desde que não pareça forçado ou prepotente, o que penso terem conseguido apenas parcialmente.

Perceber e compreender tantos detalhes só parece possível com o debate entre conhecedores de diversas áreas. Se parece difícil reuní-los presencialmente, no mundo virtual não é tanto assim. A Internet esta aí para fornecer acesso a essa multidisciplinaridade. Internet que por sinal é uma das grandes fontes de inspiração do filme. Basta lembrar dos Hackers, esse novo modelo de desobediência presente não só através dos personagens, como também na própria prática de invasão da Matrix. Por sinal, outras duas modalidades de rebeldia virtual são “citadas”. Ao depender dos telefones eles lembram os Phreakers, que são tipos de hackers especialistas em conhecimentos de telefonia, capazes de (antigas) proezas como fazer chamadas internacionais sem pagar. Já o personagem Chaveiro lembra um “Cracker”, alguém que sabe criar “chaves seriais” que permitem desbloquear a segurança de programas de computador que normalmente requerem pagamentos prévios para fornecê-los. Tal é a ligação com o submundo digital que Trinity usa em Reloaded um programa de invasão que realmente existe na cena em que tenta desligar a força elétrica de um prédio (Poulsen, 2003).

Outras referências a Cybercultura são feitas no uso de termos comuns a ela como “Link” (Nome do novo piloto, que em inglês pode significar “referência”, “elo”, “conexão”), código fonte, programador, inteligência artificial, realidade virtual, sistemas legados, etc. Uma curiosa referência relacionada seria o número “101”, que aparece algumas vezes fazendo um “link” ao código Binário (sistema de numeração formado por apenas algarismos 0 e 1, no qual os computadores se baseiam). Ele aparece pela primeira vez como o número do apartamento de Neo no primeiro filme, em Reloaded como o andar em que se encontra Merovingian, além de ser o número da Highway na seqüência da grande perseguição de carros. Será à toa? Trata-se do cinco binário, ou ainda o sexto número se considerarmos o zero. Assim, parece bastante provável que ele indique a “versão” (outro termo da cybercultura) da atual Matrix, uma vez que o Arquiteto comenta que esta seria sua sexta reconstrução. E se for mais que isso? Sabendo que os autores gostam de misticismo e a importância dos números nesse filme, fui atrás de significados destes cinco e seis na Internet, eis o que achei:

“Significados na Numerologia: Cinco — o quinto elemento, o Espírito, a Estrela de Cinco Pontas, o homem, a cabeça e os quatro membros, atração. Seis — Harmonia, estrela de Davi, o Selo de Salomão, o equilíbrio entre a matéria e o espírito; estética e sensibilidade”, (Abbra).
“Significados Bíblicos: Cinco — recorda os animais do antigo sacrifício (Nm 7,17.23.29) e as pedras de Davi contra o gigante Golias (1Sm 17,40). Seis — significa algo incompleto: o homem criado em seis dias (Gn1,27)”, (Ibivaires).

E daí? Vejamos. Neo se chama “Anderson” na Matrix (“Filho de André” em inglês, “André” vem do grego “Andros”), nome que significa “filho do homem”. A esperança humana que trouxe fé aos rebeldes frente ao Golias Matrix, aquele que incompleto descobriu em sua atração por Trinity o amor, ajudando-o assim a tornar-se o predestinado que conseguiria transcender a morte e controlar até mesmo a matéria do mundo (virtual). Aquele que se sacrificaria voltando ao código fonte da Matrix para manter a harmonia do Sistema. Pronto. Engraçado como, querendo, encontramos conexões entre as coisas, não? Apenas exercitando a imaginação encontrei estas, mas isso não prova que foi intencional no filme. Certo?

Ainda sobre números, é dito pelo Chaveiro que eles teriam apenas 314 segundos para abrir a porta que leva à “Fonte”, após desativarem seu sistema de segurança. Uma clara referência ao Pi da matemática (3,14). Mas o que isso quer dizer? Fiquei algum tempo me perguntando sobre os motivos de o citarem e, por coincidência, poucos dias depois, assistindo ao filme “Pi”, descobri que segundo o misticismo Judaíco este seria o equivalente numérico ao verdadeiro nome de Deus (a mesma informação confirmei depois na Internet). Alguns textos esotéricos que também achei na internet já apontam que a figura do círculo (ao que Pi se refere no fim das contas) serve de representação do Cosmo, ou Deus. Uma referência adequada uma vez que tudo iria acabar com o encontro de Neo com o Arquiteto, o análogo a Deus na Matrix.

Foi neste encontro, afinal, que ele fez duas perguntas que instigam a Humanidade a respeito de Deus e a si mesma, “Quem é você?” e “Por que estamos aqui?”. Tal a importância dessas questões que elas aparecem antes no encontro com Merovingian, onde ele faz questão de demonstrar saber quem são Neo, Trinity e Morpheus, assim como o por quê de suas presenças ali. São recorrências assim, aliadas as inúmeras referências e

Dualidades

que ajudam a entender mais de Matrix à medida em que vão dando destaque a alguns conceitos. A dualidade, por exemplo, aparece sob diversas formas. Seja nas duas pílulas do primeiro filme, dois mundos (real e virtual), duas portas ou nos gêmeos fantasmas. Existem dualidades até entre os filmes, contribuindo na criação de algumas leves ironias. Por exemplo, Smith no primeiro compara a humanidade a um vírus, já neste segundo é ele quem acaba assumindo o comportamento de um vírus de computador. Ele parece aparentemente sem propósito, a não ser pelo desejo de destruição (de Neo) e se reproduzindo incessantemente, chegando ao cúmulo de “infectar” uma pessoa do mundo real. Aqui chegamos a uma simetria, se Neo e companhia podem invadir o Software das máquinas, por que não elas não poderiam invadir o “software” dos Homens, sua Mente? Quem melhor para isso do que o antagonista Smith? Que pode não ser “The One” (“O Um”, Neo), mas bem que poderia ter vários nomes, “The Inumerous” (O inúmero), “The Mass” (A massa, como quando se transforma em cem), ou ainda, “The Zero” (O Zero, a nulidade), fazendo referência a seu niilismo homogeneizador…

Há dualidade sensível aos olhos, como no uso das cores. Quando apresentam na tela o mundo virtual da Matrix, o contraste entre tons claros e escuros é mais presente que no mundo real, onde os tons são relativamente graduais entre si. Talvez uma referência ao fato do mundo das máquinas ser baseado em redutores “Sim” ou “Não”, “1” ou “0”. Outra simetria no próprio filme pode ser vista ao compararmos cenas como a da pregação em Zion e o primeiro encontro com Merovingian. A primeira se dá na cidade próxima ao centro da terra, num clima místico “primitivo” que pode lembrar tanto festas ritualistas tribais (Modernamente, “Raves”), quanto muitas cerimônias em igrejas que usam música e dança para promover a troca de calor humano. Nessa hora mostram cenas sujas, quentes, espontâneas e sensualmente explícitas ao ritmo de tambores. O suor que causa repulsa em Smith no primeiro filme (quando Morpheus está sendo interrogado) aparece aqui tanto na festa quanto nas cenas de amor entre Neo e Trinity. Já a cena do primeiro encontro com Merovingian, que não é muito distante da primeira, se dá num arranha-céu, num ambiente materialista “sofisticado”, que pode lembrar tanto um palácio de antigas famílias reais, quanto clubes aristocráticos. Mostram então cenas que nos remetem a um lugar higienizado, frio, mecanizado e estéril, com um som de fundo semelhante à bossa nova. O ar intelectual impõe a manutenção das aparências, a libido é retratada como algo a ser reprimido e controlado. Talvez por isso mesmo se torna fácil de ser usada por outros a fim de manipulação, como faz Merovingian através de linhas de código com a mulher loira. Seu código “perturba” a moça de tal maneira que ela precisa ocultar seu estado indo ao banheiro, dando a deixa para a saída dele. Mais tarde descobrimos o que fizeram ao saber que a mancha de batom não estava na boca… Não parece que brincaram de inverter a localização do “céu” e do “inferno”?

Uma outra inversão dessas ocorre logo após o encontro com Merovingian. Se no primeiro filme um ser humano trai os seus companheiros em troca de ignorância (Cypher), neste, o papel do traidor é de um programa (Persephone), que entrega a chave para a aparente vitória humana (O Chaveiro) em troca de um beijo apaixonado, ou seja, por aquilo que as máquina não conheciam tão bem como nós, o amor. Sobre essas traições… Quem pode julgá-los? A questão do

Certo ou Errado

é mostrada com bastante relatividade no filme. Quando dizem nele que tudo tem uma razão, esta razão é destituída de valor positivo ou negativo. Se existe, então deve ser levado em conta. Desta forma, o retorno do Agente Smith, embora sugira o contrário, possui também um lado positivo para os mocinhos, afinal, ele atrasa a saída de Neo e os outros do corredor (back-doors) que de outra forma desencadearia a morte deles (notem que o prédio iria explodir ao saírem, já que uma das três equipes de invasão falhou). Isso nos leva à “razão” para os constantes pesadelos de Neo, o medo gerado por eles serviu para que ele tentasse persuadir Trinity a ficar na nave. Justamente por ter ficado “de fora”, ela, contrariando o pedido de Neo, completa o serviço da equipe que falhou. É claro, tudo isso pode simplesmente significar que os escritores precisaram de soluções para o desenrolar da trama e situações de risco. Contudo, me parece uma constante no filme pessoas ou coisas aparentemente pequenas se mostrarem maiores, aparentemente negativas se mostrarem positivas e vice-versa. Além disso, mesmo em meio aos contrastes, em tudo parece existir um pouco do seu oposto, como num Yin e Yang. Exemplificando, os rebeldes humanos precisaram de um programador, que se espera ser racional e entendido sobre máquinas, para buscarem sua libertação, já as máquinas, precisaram de um programa inteirado das irracionalidades humanas, no caso, Oráculo, para manipular melhor os humanos. E se a estratégia de defesa de Zion contasse apenas com a opinião de Locke, a nave de Morpheus não iria na direção oposta a que o responsável pela segurança determinara. Parece que nenhum deles estava certo ou errado. As escolhas de ambos foram importantes para os acontecimentos vindouros. Isso sugere que existem diferentes graus entre o certo e o errado, não? Será que faz sentido falar neles desassociados de algum contexto ou perspectiva? Uma pergunta que normalmente vêem à tona quando se comenta da subjetividade das escolhas é, como dizer então o que está “certo” ou “errado” num grupo, por exemplo? Se ninguém é dono da verdade, como fundamentar coletivamente escolhas? Não tenho respostas para isso, mas percebo que a maior preocupação que esse tipo de pergunta revela é da manutenção de uma ordem. Afinal, as pessoas (principalmente as que detêm Poder) querem segurança, linearidade de acontecimentos, querem a previsibilidade que as permita continuar no poder, ou a manutenção de como gostam que as coisas estejam. Mas qual o custo para fazer da vida algo tão previsível? Desde quando previsibilidade é, necessariamente, sinônimo de algo certo e bom? São mesmo necessários fundamentos imutáveis para haver ordem?

Acima citei a seqüência no filme em que pesadelos premonitórios de Neo fazem-no pedir a Trinity que não participe da última invasão. No decorrer das cenas percebemos que justamente por isso o pesadelo se realiza. Isso me lembra um momento do primeiro filme quando Oráculo diz para Neo, “não ligue para o vaso”, fazendo com que ele pergunte sobre o tal vaso no momento em que dá um movimento brusco e quebra sem querer um vaso ao seu lado. Ele teria quebrado o vaso se ela não dissesse a previsão? Trinity teria ficado de fora sem que ele tivesse o sonho? A pergunta é, como prever algo que depende da própria previsão? Dois aspectos me vêm à mente em relação a essa pergunta, causalidade e predição. Causalidade se refere à causa e efeito, muito bem explicado por Merovingian segundo o pensamento mecanicista. Mas em relação à pergunta parece que a causa do efeito é o próprio efeito, afinal foi prevendo-o que ele ocorreu. Outra situação parecida é a do primeiro encontro neste filme entre Neo e Smith, o segundo explica que Neo é a causa de sua mudança a partir do momento em que este o destruiu, mas, de uma maneira grosseira, Smith também seria uma causa para o despertar de Neo, que renasceu depois que este o matou. Ambos “precisavam” um do outro, são causa um do outro… Causalidade Mútua. O roteiro sugere uma brincadeira com as fundações rigídas da ciência. Se não podemos confiar na causalidade, como fazer Predições? Mas voltando a pergunta, como prever algo que depende da própria previsão? Li uma frase que poderia esclarecer isso, “A função derradeira das profecias não é a de predizer o futuro, mas a de construí-lo” (Martin Claret). Existe uma profecia/mito nos filmes e não duvido que no próximo possa se concretizar, mas ao menos neste ela se mostrou (numa perspectiva) um instrumento de controle, uma ilusão dentro da ilusão.

A capacidade de previsão sempre fascinou o homem, na Grécia antiga eram os oráculos, dali passou pela Filosofia, Profetas e hoje a Ciência. Não quero dizer que não exista valor nas previsões seja via científica ou mística, essa não é a questão. O caso é que os oráculos da Grécia já alertavam sobre as complicações envolvidas nessa prática. Revelações do futuro sempre são ambíguas e ter esse conhecimento pode ser perigoso. Reis foram ávidos para a batalha após ouvirem previsões que ganhariam fama, sem saber que mais tarde a fama viria de uma enorme derrota. Seja de onde for a previsão ou profecia, seja um sonho, uma cartomante, ou o jornal da televisão noticiando resultados das “mais recentes pesquisas”, antes de tudo elas deveriam servir para uma reflexão sobre nossos atos e relacionamento com o mundo, não para servirmos à elas. Acho preocupante o acúmulo de poder por quem acredita ter tal habilidade e se acha infalível, mas me preocupa ainda mais aqueles que detêm o poder sobre estes. Quem domina tais sacerdotes do futuro pode fabricar verdades que lhe convém, bastando que as pessoas acreditem, não tanto nos argumentos, mas nos oráculos. Isso piora por conta da natural inércia dos que preferem se eximir da responsabilidade de fazer suas próprias escolhas. E assim vai seguindo, por exemplo, o mercado de ações e as propagandas que dizem que minha felicidade reside na compra do modelo mais atual daquele automóvel. Compactuamos assim com a criação de um mundo segundo percepções alheias, sugerindo o que precisamos, nos tornando muitas vezes cegos para o que existe fora da caverna, ou ainda pior, para o que existe em nós mesmos. Essas ilusões nos fazem escolher de maneira quase inconsciente (como na Matrix) por opções que beneficiam terceiros, com o pretexto de atender nossas “necessidades”. Como muitas vezes não atendem as verdadeiras necessidades, alimentam um vazio que por sua vez alimenta a ansiedade das pessoas por distrações e consumos anestésicos, formando uma espécie de um ciclo vicioso (em eterna recarga -reload). Merovingian diz que a

Escolha

foi uma invenção daqueles que tem poder para servir de instrumento de controle. É o que pode parecer ao pensarmos que algumas pessoas não vêem no mundo semelhantes, mas apenas potenciais dependentes destes, seja como consumidores (clientes), objetos de exploração (empregados), ou delegadores de decisões (cidadãos que votam). E tudo se torna uma questão de como seduzí-las para conquistar ou manter poder. Alguns “seduzidos” são conscientes disso, mas se acovardam por se encontrarem obrigados, impedidos ou oprimidos por um “poder maior”. Foram seduzidos pelo medo, pela paralisia, pela inércia. Acontece que sempre existirá a chance de escolher e nela residirá a chave para a mudança, o problema é perceber que ela deve começar por si mesmo, mudando a própria percepção das coisas. É aí que entra em cena uma das mais importantes contribuições humanas à existência: A arte. A arte tem um papel importante em nossa sociedade justamente pela possibilidade (nem sempre aproveitada) de mostrar com os olhos livres de amarras aquilo que nossa visão condicionada não vê ou não valoriza. Sua definição para mim estaria ligada não só com a demonstração de excelência técnica (forma de expressar), mas com a liberdade de expressar uma visão e/ou experiência que agregue significados e possibilidades à nossa vida. Acho que em quase tudo podemos fazer alguma arte, seja num papel em branco, num trabalho, tarefa caseira ou “hacking” (o que fazem os Hackers)… Uma pena que com o tempo criou-se uma imagem desta ser uma prática elitizada e cada vez mais tecnicista, quando creio que todos temos acesso a criar e viver arte. Infelizmente, também a tornaram um produto, e ao massificá-la, cada vez mais as pessoas perderam a capacidade de perceber suas possibilidades transformadoras (pessoais e coletivas). A dificuldade hoje é encontrar arte independente em meio a grande indústria que se formou em cima do entretenimento. Contudo, acredito que mesmo em meio a intenções lucrativas possam existir interessantes idéias, mensagens, visões, sentimento. Em Matrix, vejo tanto essa necessidade de lucro (Entretenimento típico de Hollywood), mas também o desejo de contar uma história que traz conceitos e mensagens que podem servir de alguma reflexão relevante aos nossos tempos. Da mesma forma, vários filmes que visam o lucro podem acrescentar algo, seu valor pode transcender sua proposta inicial, até porque, cada vez mais, manifestações artísticas (para além de filmes) são frutos de trabalhos coletivos, em que seus agentes tem suas diferenças de visões e objetivos, num universo que pode ter entre outros, investidores, escritores, produtores, diretores, atores, editores, músicos, coreógrafos, artistas gráficos, etc. Sem falar da subjetividade da visão de quem contempla, permitindo à obra transcender seu autor…

Poderia então falar aqui de várias possíveis mensagens do filme. Afinal, quem pode ter total controle sobre o que transmite e percebe? Ou quem pode não ter controle algum? Vivemos de aproximações. Entre o que podemos decidir e o que não podemos. Como discernir um do outro? Acho que muitos sábios ainda procuram essa resposta, se é que existe uma… Importante é não perder de vista ambos. Se parármos de fazer escolhas ficamos à mercê de outras vontades e somos levados pela correnteza definida por outros, e sem resistência, perdemos a própria identidade. Já se levamos em conta apenas a própria vontade, impondo-a aos outros, o mundo se torna minúsculo e hostil, perdemos os laços com os outros e nossa própria humanidade, perdemos o sentido. Podemos então nos perder de um jeito ou de outro. Melhor então é participar da teia de vontades, buscando e construindo consensos ou harmonia entre a nossa e as dos outros ao nosso redor. Minha própria experiência com esse texto me mostrou isso. Durante muito tempo simplesmente “travei” nestas últimas partes por várias razões, dentre elas poderia alegar falta de tempo, mas não seria a verdade como a sinto. Isso aqui não é apenas sobre Matrix, tem muito de mim e minhas idéias. Não tinha a pretensão de falar tudo o que poderia ser dito sobre esse episódio ou “verdades”, queria instigar, apontar sutilezas… Mais do que isso, em meu íntimo queria propor reflexões novas a partir daquelas que o filme me proporcionou, de forma que auxiliassem na compreensão de certos aspectos de nossas vidas. Nem o texto, nem os encerramentos que me ocorriam pareciam serem bons o suficiente e preferia reler criticamente, mudando detalhes no que já estava escrito. Em um certo ponto quis fazer um testemunho pessoal sobre essa minha dificuldade, mas resistia à idéia. Além da insegurança quanto a quebrar “regras”, estava preso por algo estipulado por mim mesmo (quem mais?). Muito tempo passou desde o começo deste texto até seu fim e durante esse tempo comentei com várias pessoas sobre ele, com a demora em mostrá-lo parecia até que o estava escondendo ou inventando. Basta. Tudo tem um limite. Reconheço os meus e por mais que hoje ele não expresse perfeitamente meus pensamentos atuais é hora de abandoná-lo. Não adianta ficar em constante reload, é hora de revolução.

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Abbra. http://www.abbra.com.br/numerologia.htm

Anção, Meide S. Arthur Schopenhauer. 1998, disponível em: http://www.meide.med.br/textos/schopenhauer/schopenhauer.htm

Ibivaires. http://www.ibivaires.org/old/ibivaires/iebi_arquivos/curioso/numerologia.html

Guimarães, Carlos Antonio Fragoso. Renée Descartes: A Filosofia da Razão. 1997, disponível em: http://www.geocities.com/carlos.guimaraes/descartes.html

Poulsen, Kevin. Matrix Sequel Has Hacker Cred. 2003, disponível em:http://www.theregister.co.uk/content/55/30747.html

Silva, Cristiano Lima da. Schopenhauer e a Vontade como Raiz Metafísica do Mundo.Disponível em: http://www.decis.ufsj.edu.br/emporio/doc/schopenhauer.html

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