Pode atender mal que sobra serviço em São Paulo

Breves experiências, ou ainda, Porque a arte de vender e entregar é tão ruim?

Se admirar quando um serviço é bem prestado chega a ser ridículo mas é o que sinto cada vez mais aqui em São Paulo. Tanto que cheguei a ligar para agradecer a gentileza e bom humor do rapaz da Akiros Pastelaria que veio nos entregar estes dias. Ele apenas estava feliz fazendo seu trabalho com dedicação.

Por trabalhar com jornalismo e publicidade a vida toda, agora no meio empreendedor, onde toda demanda sempre teve deadline apertado, me pergunto como a maioria dos outros que se propõem a servir, vender e entregar apenas não conseguem cumprir prazos. Mesmo não sendo nada parecido com o “é pra ontem” que estou acostumada. E isso não é tudo, a má vontade habitual, misturada com “caras de bunda”, recorrentes me fazem quase sentir culpa por estar comprando algo. “Desculpa, eu gostaria de comprar isso, você pode me atender?” Isso na maioria das lojas.

Abaixo, algumas experiências recentes.

Esses dias liguei para um “hidráulico 24 horas” para pedir uma visita para ver aquelas válvulas antigas que estava com vazamento. A moça que me atendeu, solicitou meu telefone e disse que em até 15 minutos um profissional entraria em contato. Estou esperando até hoje.

Ontem ligamos para um “disk baterias” para pedir a troca da nossa de manhã. Foi prometido para a parte da tarde. Claro, de tarde, liguei para “lembrar” da nossa solicitação e só quase às 20 h chegou o tal o motoboy para fazer a troca. Chegou brabo, que já era para estar em casa e, segundo ele, a neta da dona da loja, responsável por distribuir os pedidos, tinha errado etc, etc, etc. Em meio à frustração dele, pedi desculpas. Claramente indignado, ainda conseguiu derrubar um vaso da minha coleção de orquídeas.

Compramos móveis planejados. O prazo de entrega e montagem era de 22 dias. Na semana em que deveria ser feita a entrega, ouvimos as mais variadas desculpas e a promessa de mais uma semana e meia. Já vai fechar 30 dias. O novo prazo ficou para o dia 17.

Solicitamos o fechamento da sacada. A empresa em questão no dia da instalação chega para executar o serviço sem a ART que deveriam trazer para entregar ao condomínio, documento este com o custo devidamente embutido no serviço. Sem a tal, nada de deixarem instalar. Discussão pra cá e pra lá, o zelador intercede e o síndico liga pro dono da tal empresa e escuta algo do tipo “ah, mas quase nunca pedem e aí a administração anterior não pedia/ preciso de uns dias de gordurinha pra queimar” enquanto eu ficava com aquela cara de pata. (O tal documento pode ser solicitado online e custa 76 reais. O dono da empresa teve a cara de pau de dizer que a arquiteta responsável pedia 10 dias para a emissão do documento ao custo de 600 reais) Affe! Com a promessa da entrega da ART, o síndico e o zelador abrem uma exceção e liberam a instalação. Mais de 2 horas de ligações e negociações já tinha transcorrido. Neste momento, o tal instalador, irmão do dono da empresa, vem com a maior cara de pau dizer que tinham cortado os vidros errados e que voltariam na próxima sexta com o documento para instalação além de “já estar muito tarde para iniciar a montagem”. Oi? Na hora percebi que era só este o motivo. Me despedi da comitiva, “agradeci” aos nosso arquitetos que indicaram a tal empresa e chamei um Uber. Não bastasse todo o estresse, ainda compartilhamos boa parte do caminho quase ao lado do caminhão da tal empresa, onde os instaladores vinham cantando, rindo e brincando com a clara expressão de “vamos mais cedo para casa”. Imaginem os sentimentos nobres que no momento habitavam meu coraçãozinho, normalmente, amoroso. Cheguei em casa e liguei pra tal empresa exigindo a documentação por email da promessa de entrega do serviço da forma correta, com a tal ART. O prazo também ficou pro dia 17.

Ao conversar com outros moradores descubro que não somos um caso isolado, isso é um padrão. Só posso concluir que ou está sobrando serviço ou estamos nos acostumando com este tipo de situação e isso não é certo! Não podemos ser reféns deste tipo de conduta.

Bom, na próxima sexta-feira, dia 17 de Junho, prometo atualizar este post com o desenrolar das histórias. Caso não seja como o prometido, a boa vontade e a compreensão vão passear no PROCON.

Até lá…