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É bem conveniente usar a carta do “você não compreendeu meu ponto de vista”. Essa tática foi usada pela própria Bel em seu texto (mais legitimamente que você, diga-se de passagem, pois ela realmente estruturou seu marketing pessoal de modo a levar seus interlocutores a terem uma visão bem mais romantizada de sua carreira, ainda que ela de fato não tenha dito nenhuma mentira).

Mas no seu caso, desculpe, mas eu compreendi, sim. Você está dizendo que currículos não refletem a realidade. Eu concordo que isso aconteça na prática, mas não que essa prática seja justificável.

Para dar um exemplo mais prático, uma coisa é eu dizer que

“Fiz um estágio na Companhia XYZ onde aprendi bastante sobre finanças, gestão e liderança trabalhando ao lado do gerente do setor regional”,

outra é dizer

“Trabalhei na Companhia XYZ lidando com finanças, gestão e liderança à frente do setor regional”.

Ambos estão perfumando uma experiência que é, basicamente, um estágio de luxo, e ambos estão dizendo fatos estritamente verídicos. Mas o último está levando a uma interpretação diferente da realidade.

Quando você diz que currículos em breve não existirão, minha impressão é que você tem um certo apego a um modelo mental de um documento com “Curriculum Vitae” no topo, escrito em Times New Roman 12, impresso em A4 e entregue ao departamento de RH junto ao nome e dados de contato. É óbvio que esse formato irá acabar!

Mas é preciso separar a forma do conteúdo. O currículo, como abstração de uma descrição da carreira profissional de uma pessoa a partir de seu próprio ponto de vista, irá persistir por um bom tempo (Quando o Big Brother estiver assistindo a todos e cada passo for registrado em um histórico pessoal que estará acessível a quem se interessar através de um big data ‘não enviesado’, aí sim, talvez possamos aposentá-lo de vez).

A propósito, não sei porque você sequer levantou esse ponto, visto que isso nem estava em discussão. Ninguém havia baixado o “Currículo Bel Pesce.pdf” para escrutiná-lo. O que sempre esteve em pauta foi o “currículo” dela em sua forma mais conceitual, como declarações em mídia, entrevistas, livros, etc.

E finalmente, para não haver dúvidas sobre insinuações veladas, eu não acredito nem um pouco na idoneidade de suas 10 alegadas carreiras diferentes com 54 anos. Ou você está cometendo um exagero absurdo, ou está menosprezando grosseiramente essas profissões.

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