Sentidos

Vive na existencialidade, mas possui uma dificuldade imensa em sentir a adaptação de seu ser. Pensa que fez tudo errado aos moldes do que lhe foi imposto. Acredita não saber agir nas situações que lhe são postas. Sente-se inóspito e impotente. Sente-se impactado pela falta de cuidado por parte da sociedade ao seu redor. Olha tudo com o desdenho que a intuição transmite. Fala consigo mesmo para entender se é melhor estar dentro ou fora. Compreende as relações externas como meras generalizações de todos sobre tudo. Absorve para si o que convém e o que não convém para saber filtrar todas as problemáticas. Sente que os conceitos do mundo estão falidos. Ouve os sussurros que a dúvida lhe traz. Escuta as vozes abstraídas das ruas. Toca o inato e o inerente. Abraça a fidelidade, os bons sentimentos e as energias. Internaliza seus defeitos mais profundos. Cospe a irritabilidade. Superficializa o modus operandi. Externaliza a paz de espírito. Beija o amanhã. Acredita na fé da união. Se indigna com a falta de empatia. Se choca com o sistema. Cria teorias. Analisa as diversas variações do ser. Estuda os campos místicos, as realidades paralelas, os modelos de vida. Devora o conhecimento. Mastiga o saber. Alcança suas perspectivas internas. Se revolta com sua incapacidade de inserção padronizada. É forçado a fazer o que não quer. Acredita nos animais. Sente prazer no curioso. Lê sobre as adversidades. Respeita a bondade.
Observa. Sente. Olha. Toca. Fala. Ouve.
Intensifica os sentidos.
