Utopia

Dispersão dos ares cinzas

Há um tempo no olhar
Que desabrocha.

Vejo nesse tempo
A enfatização da vida
As chamas da intensidade
O amanhã calmo
A sensação dos abraços
A compreensão das coisas
A brisa que fica
Os laços da clareza
Conjuntos de harmonia
Liberdade sem pobreza
Igualdade imediata
Céus límpidos
Oportunidades de recomeço
Suavidade nas atitudes
Concretos caindo
Cidades abaixo
Alívios da alma
Nós
Animais
Força
Palavras

Agora os sinais dão a letra
Os fogos amigáveis nos avisam
Sem mais dureza
Só eternidade
Prosperidade

Sem caos.

Delírios do ser, utopia de viver
Como dizia um velho amigo:

A utopia nunca há de se acontecer
E serve justamente para isso: caminhar, caminhar e caminhar…


  • Homenagem a Eduardo Galeano (1940–2015);