Começo, meio e fim

Texto rápido sobre como a crítica ao popismo precisa ser melhor elaborada


De vez em quando, você acaba se deparando com um artigo, uma peça de escrita, que é feita de forma cuidadosa, meticulosa, porém, quando estudada mais a fundo, revela um tom de mentira — algo típico de um crítico do New York Times. Nada melhor que um crítico do NYT para representar esta era da confusão e da calúnia.

Raul Austerlitz escreveu recentemente, para a revista do New York Times uma coluna, disfarçada de crítica fajuta, que aborda o tópico do popismo enquanto estilo de crítica musical predominante. O texto inteiro chega a ser interessante enquanto estudo antropológico (para estudarmos com afinco as falhas cometidas nas análises), mas não passa disto. Agora, eu procuro colocar em perspectiva o que ele não colocou.


Há uma noção estranha percorrendo a crítica do pop hoje em dia. Ela não é o popismo. É a resposta em relação a ele. Raul chega a dizer que a crítica musical hoje em dia se tornou estranha justamente por causa de uma cobertura maior por parte dos críticos em relação à Billboard, como se eles tivessem a obrigação de levantar, sempre, questões referentes à música alternativa.

Ainda, para facilitar ainda mais tudo, a crítica que o autor faz é calcada em uma defesa contrária. O popismo oprime o rock, pelo menos para Raul. E só. É um juízo de valor muito simples para ser desenvolvido, e ainda mais, para ser levado a sério.

É calcado, ainda, no preconceito, um constructo irracional. O pop é ruim e ponto.


Ele ainda tem a capacidade de dizer, como numa espécie de síndrome do underground revitalizada:

No matter the field, a critic’s job is to argue and plead for the underappreciated, not just to cheer on the winners.

Por que, é claro, crítica é a mesma coisa que postar canções no seu blog de música alternativa.


Se alguém algum dia for fazer alguma crítica realmente fundamentada ao popismo, que este alguém comece falando do maior inimigo: a internet.

Para algo mais detalhado, eu escrevi sobre isto aqui em algo mais longo.

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