Cidade Velha(3)

Enquanto as caravelas aportavam na praia da clareira, Acauã observava incrédulo no que ele via. A bordo do navio, pessoas brancas com a pele queimada de sol, olhos azuis e verdes, vestidos em armaduras. ‘Estranhos no meu ninho. Como pode?’ Assim que recobrou o fôlego, desceu da clareira pelos cipós e troncos para avisar aos outros da tribo. Correndo quase na velocidade do vento, encontrou seu amigo Tauá. Claro, nenhum deles falava português, por isso, segue o diálogo “traduzido” das línguas indígenas:

Acauã, onde você se enfiou? A tribo já deliberou sobre a situação da curandeira Jaçanã. Você não quer saber o que aconteceu?
Tauá, chegaram navios estranhos no nosso litoral. Nunca vi pessoas daquele jeito! São totalmente diferentes de nós! Mas, afinal, o que aconteceu?
Decidiram pelo afastamento definitivo dela. Ela não pode mais assumir como pajé da tribo ou nenhuma outra função. É um absurdo o que fizeram com ela!!!
Mas, Tauá, não ficou provado que ela forneceu suprimentos e informações às tribos inimigas?
É calúnia! Estou inconformado com isso! E você deveria estar assim também, você também foi beneficiado pelas melhorias que ela trouxe, Acauã.
No tempo em que ela ficou à frente da trio, tivemos mais perdas do que nunca. Mas eu tenho que te contar sobre os invasores…
Você disse ‘invasores’?
Acauã tentou conversar com seu amigo Tauá, sem sucesso. O afastamento de Jaçanã era o assunto do momento. E ainda que o jovem índio tentasse despertar a atenção do amigo para o que acontecia, não adiantava.
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.