Demônios internos

Era noite, era frio. E, ainda assim, eu considerei o momento perfeito. Um ciclo chegando ao fim. Uma sala fria, sem ter para onde correr. Solidão. O barulho lá fora poderia me incomodar, mas não foi o que aconteceu. Tudo que me causava medo estava ali, diante de mim, refletido num espelho. O espelho da alma pode ser pior que aquele no qual nos olhamos todos os dias. Ele nunca será superficial e mostra as entranhas podres que escondemos com maquiagem. Assim, eu estava indefeso, turbulento, contemplativo. Meus demônios internos me apontavam as feridas, as cascas abertas. A realidade, por mais obscura que fosse, ficava clara à luz da minha epifania vacilante: eu era meu próprio demônio. E isso era tudo o que eu precisava saber.

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