Nascente

A luz do sol iluminava as águas do rio numa explosão de cores tropicais e incandescentes e a relva da margem ganhava nova cor com o raiar do dia. De repente, tudo à minha volta ganhava cor. Até mesmo a clareira escura de onde saí, agora parecia um festival de verdejantes emoções. E as águas, aquelas não pareciam calmas de riacho, mas caudalosas de um rio forte que rasgava a terra em duas margens férteis. E pensar que aquele lugar era uma pequena nascente. Ou nascente era o período do dia que se desnudava diante de mim? Não importava; era a manhã, era de manhã. E o meu corpo participava daquela festa, procurando as águas claras de cristal, coloridas em tons de vermelho, laranja e amarelo. E tudo se tornava mais claro e límpido, como os contornos à figura do majestoso sol que reluzia no horizonte, tal como um orquestrar tocado ou o trabalho do ourives, esculpindo tão bela paisagem. Onde se situava esse lugar? Perto de uma clareira que só os olhos do coração podem ver.

P.S: A trilha sonora desse trecho foi “Nascente”, cantada por Milton Nascimento e com participação de Flávio Venturini.