Fora de esquadro

de proporção. Os mapas estão todos invertidos: o leste é norte, o sul também é norte, o oeste é norte. O norte não pode mais ser norte. A morte é norte, o norte é morte. Os caminhos são tortuosos, as cidades de papel não existem e as projeções geográficas são péssimas. A falsidade resiste, inside, reside em todo canto que o mapa esconde. Mas num mundo desses, quem quereria o verdadeiro?

Num mapa de insanidades o normal é ser doente. E a loucura, perguntariam os educadores? E a neurose obsessiva universal? E a teoria geral do povo? E a inversão? Ah, a inversão. Lá está ela, mais forte que nunca. Lá está, a explicação de um mapa que representa o inexistente. Mas o que existe? O que, de fato, é?

Nossos mapas, nossas vidas, nossos filmes. Tudo é vaidade, verdade, mas é tudo ficção. Fronteiras são linhas ficcionais que só separam terras de terras. Mas, ora, não são todas terras? Limites naturais existiam, hoje existem pontes. Os homens e essa mania de querer separar o que é junto. Criamos nos mapas a nós mesmos. A projeção sou eu. És tu. É ele. Nunca um mapa reflete a natureza (porque ela não existe), ele reflete o homem. Tudo criação de criação, tudo ficção. Obra criada que ninguém assina. E quem assinaria? Tudo fora de esquadro, de proporção, de propósito.

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