canja
tanto mais passa o tempo, construo certezas de que o amor perdura.
seu perfume, seu endereço, seu número de celular, a placa do seu carro, a sensação do seu corpo no meu. Todos esses fantasmas estão aqui. É um cheiro nostálgico do seu beijo ao acordar. Um flash do nosso bistrô favorito. Nossas “horas” marcadas.
talvez fiquem cada vez mais vagas, as memórias físicas. Mas a pessoa que eu construí de você em mim não. Ela é, e continua também se relacionando com meus outros amores. Estamos para sempre fadados a um universo simbólico de experiências que ultrapassam o real.
por isso mesmo é confortável saber também que esse eu que eu construí só existe dentro de mim.
gosto de teorias psicanalíticas que asseguram que nossas memórias só possuem significado no presente, ou melhor, só se consolidam memórias quando recordadas. Ainda bem.
hoje, no meu presente só, me lembrei de você.
me lembrei com nostalgia. Ou melhor dizendo, saudades. O sentimento de sentir falta amargurado por uma certeza de impossibilidade. Sinto falta e sei que essa falta, falta.
Eu não sou mais quem você se apaixonou.
Você não é mais a pessoa quem eu me apaixonei.
gostaria de acreditar que essas duas certezas apagassem o amor que ainda sinto.
