Um paralelo entre Embriagado de Amor e Adaptação, Paul Thomas Anderson, Spike Jonzen, Adam Sandler e Nicolas Cage

Daniel Crepaldi
Jul 27, 2017 · 3 min read
Adam Sandler em Embriagado de Amor

E eu poderia ter continuado o título com: e um retrato da timidez e baixa autoestima.

O tamanho do título é proporcional as coincidências casuais (não intencionais) entre os dois filmes. Estes, Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love em inglês), do diretor Paul Thomas Anderson e Adaptação do diretor Spike Jonze. Ambos filmes do ano de 2002 — coincidência nº 1.

A segunda coincidência, são seus atores protagonistas. Adam Sandler e Nicholas Cage. Resguardadas as devidas diferenças entre eles, e sem adentrar a fundo na carreira de um ou outro, ambos são atores que carregam uma fama negativa parecida, fruto de más atuações e escolhas ruins de papéis em filmes duvidosos, que os fizeram amargar fracassos desde a última década e sofrer preconceito por parte dos críticos e público mais culto de cinema.

Mas não em 2002

Antes de carregarem esse karma e com prestígio ainda significativo no começo dos anos 2000, eles toparam participar desses filmes, de diretores ainda novatos e promissores em Hollywood: Paul Thomas Anderson e Spike Jonze. Dois diretores que conseguiram se consagrar e figuram hoje entre os mais importantes do cinema norte-americano, com filmografias relevantes. Dois diretores cults™. Nossa coincidência casual nº 3.

E ambos os diretores (embora o roteiro de Adaptação tenha sido escrito pelo Charlie Kaufman e não pelo Jonze), parecem ter conseguido tirar o melhor do Adam Sandler e Nicolas Cage, com personagens — pasme! — praticamente iguais. Nossa coincidência nº 4. Homens solteiros, na casa dos 30–40 anos, solitários, tímidos e com sérios problemas de interação social. E os dois atores corresponderam igualmente com grandes atuações.

Nicolas Cage em Adaptação

Dois filmes consideravelmente underated, que merecem mais sua atenção. Em especial para quem tem interesse na filmografia do Paul Thomas Anderson e para os que eventualmente tenham fetiche no mito Nicolas Cage (sim, essas pessoas existem).

Então fica a recomendação

Embriagado de Amor é uma grande surpresa (positiva) dentro da filmografia do Paul Thomas Anderson. É um filme muito experimental na carreira do diretor e acima de tudo, essencialmente sensorial. Aqui, todo o trabalho fotográfico, com um deliberado jogo de cores, seus planos e enquadramentos é muito sentido pelo espectador, que acaba dominado, seja pelo sentimento de tensão e insegurança que a personagem principal transmite — Barry (personagem do Adam Sandler) passa a maior parte do filme com um terno, como se estivesse sempre preparado para que algo acontecesse, em contraste com a monotonia de sua vida — , seja pelo sentimento de amor que pinta a tela com tons de azul e rosa. ‘’I have a love in my life. It makes me stronger than anything you can imagine’’. Embrigado de Amor é, por fim, uma aula de ótima progressão e libertação da personagem.

Enquanto Adaptação é uma aula de metalinguagem. Provavelmente uma das melhores já feitas no cinema. Um jogo poético e delicado sobre a história de um roteirista (personagem do Nicolas Cage) de cinema que precisa buscar uma trama para seu roteiro — uma adaptação de um livro sobre orquídeas — e sua vida. “What I came to understand is that change is not a choice. Not for a species of plant, and not for me.”

Cena final de Adaptação

    Daniel Crepaldi

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    como é horrível e belo o dia que ainda não vi

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