Lástimas

Em uma noite insone, olhando a lua janela afora
prendo-me, inconscientemente, a uma simples memória
uma lembrança que queria não mais recordar
uma nostalgia que faz-me odiar o luar
saudade, medo, ódio e amor
tudo misturado ao sono e o torpor

Quando fecho os olhos só lembro-me de um sorriso triste
um sorriso que me leva de volta a infância
de um tempo em que eu o via e o admirava

Quero chorar, lamentar, livrar da mágoa que ainda resiste
mas não consigo, o ódio ainda avança
ódio próprio e de todos que nunca acaba

E agora nem uma estrela restou, até mesmo a lua se foi
o tempo vai passando junto com a vida sem dizer um “oi”
e tudo que vejo são as trevas de uma noite sem fim
sem expectativas, lentamente, queimando o estopim
até o dia, inevitável, da explosão
quem sabe ai um momento são

sinto frio…
queria um afago…
um abraço quente…

ouço o vazio…
só tenho um trago…
e minha mente…