Esse dia eu precisava caminhar

Como deixamos o medo e a ansiedade roubar nossa história

La herradura, Chorillos no Peru - fotos por @danmagatti com iPhone 8 plus

Escolhi uma praia no mapa. Chamei um táxi e fui. O táxi chegou até uma parte do caminho da estrada beirando a montanha e perguntou se eu realmente queria descer ali.

Afirmei com a cabeça e desci. Parecia uma cidade fantasma. Poucas pessoas espalhadas aos cantos. O medo que estava dentro de mim, foi diminuindo com o medo que vinha de fora.

Fiz algumas fotos em meio a alguns olhares tortos. Guardei a câmera e decidi usar só o celular para registrar toda a beleza abandonada que morava ali. Não tinha sinal de celular e para chamar outro táxi ou uber eu precisaria caminhar. Comecei a andar pela estrada.

Desde o último prédio na encosta da montanha até este ponto da foto do meio foram 3km de subida. Não estava cansado de andar e nem admirar tudo o que estava vendo ali, mas sim de um medo que ocupava espaço e não permitia eu ver além.

Ainda sem sinal e nenhum movimento na estrada, continuei caminhando. Quanto mais longe eu ia, mais o medo dentro de mim caminhava na direção oposta.

Quando percebi isso, decidi que só ia parar de caminhar quando meus pés começassem a doer ou o sol fosse embora. Eu não queria criar mais nenhuma dor ou medo, mas queria testar os meus limites e capacidade de me livrar de coisas ruins, usando tudo o que eu tinha naquele momento: minha mente consciente e meu corpo em pleno funcionamento.

Quando a gente não se percebe, também não percebemos que o maior medo só existe lá fora e passamos a deixar outros medos ocuparem espaços dentro da gente.

Caminhei 8km até o sol ir embora, eu chegar num restaurante na beira da praia com wifi e chamar o uber.

A vida é uma história só nossa para deixarmos o medo contar ela por nós.


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