O que aprendi com minha crise de ansiedade viajando a trabalho

Nunca soube lidar com a solidão. Estive muitas vezes sozinho, mas sempre distraído. Sem prestar muita atenção em mim. Focando nos estudos, no trabalho, em projetos, em pessoas que importam. O foco sempre esteve nisso e em nenhum outro lugar.

Há algum tempo, tomei mais conhecimento de mim. Daquilo que me machucava e vivi a ansiedade no seu extremo. E te digo, ela dói.

Mais uma vez estive sozinho, agora viajando a trabalho. Precisava sair do Airbnb para trabalhar e me peguei sentado no chão do quarto, chorando por duas horas e pior, sabendo o porquê e sem nenhum controle sobre aquilo. Me esgotei. Quando consegui, lembrei de respirar. Respirar ajuda a tomar consciência de si e trazer as coisas de volta ao eixo, na medida do possível. Tempo depois fui tomar um banho gelado e então me recompor para ir trabalhar. Não foi fácil.

É difícil colocar as palavras aqui, apertar um botão e fazer elas públicas para o mundo. Escolho dividir a minha dor porque sei que não sinto ela sozinha. Espero que ela possa diminuir distâncias e colocar alguns de nós mais perto. Isso importa muito em momentos assim.

Os estudos, os trabalhos, os projetos, as pessoas ou o que quer que você faça e que de alguma forma ajuda preencher vazios, perdem o sentido quando você é engolido por esse sentimento e o ruim toma o lugar do bom.

Estava feliz que tudo o que tinha começado a construir há 4 anos, seguia se erguendo cada vez mais e me colocando em lugares que jamais um dia imaginei estar. Sou grato por isso, mas o preço por ter sido tão distraído comigo mesmo foi alto. Tive uma mistura de sentimentos que iam do medo de estar naquela situação e ao mesmo tempo raiva, porque sabia que meu lugar era exatamente ali. Eu tinha trabalhado por aquilo. Ficava repetindo para mim mesmo. É difícil ver valor quando a gente não se valoriza.

O primeiro passo foi reconhecer que algo não estava bem e pedir ajuda. Na semana seguinte a viagem comecei a terapia. Fiz alguns exames para a psiquiatria. Tomei medicamentos por um tempo. Não bastava toda situação, tinha comigo um bocado de pré-conceitos que tive que derrubar um a um. Tudo foi uma luta em que você está no chão e não tem vantagem alguma. Hoje já estou em pé, mas esse é um caminho longo. Ainda estou tentando voltar a fazer exercício, não descontar a ansiedade na comida e sigo me fortalecendo para buscar os sonhos que tive lá atrás.

As vezes tomamos rasteiras de nós mesmos porque estamos distraídos. Não necessariamente precisamos aprender a cair, mas como nos levantar mais fortes a partir dali. Podemos cair de novo outras tantas vezes, mas as distâncias para levantar certamente serão menores.

Lembre-se: é tudo bem e saudável chorar.

Você não está sozinho. :)

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