Perdi o emprego há 1 ano e outras coisas

Mas o que eu realmente aprendi com isso tudo?

Faz um ano que fui demitido e de lá pra cá, não foi fácil. Hoje eu encontrei tempo e energia para escrever sobre isso. Escolhi dividir, porque talvez assim, as dificuldades pareçam menores do que elas realmente são e isso nos dê ainda mais força pra continuar nessa jornada sacana chamada de vida. E claro, pra um dia eu ler isso e saber onde eu estava e pra onde fui.

Costumava trabalhar em agência de publicidade. Fusão, cortes, pessoas novas e ninguém mais conhecia meu trabalho. Logo, minha cabeça rolou. Meses antes, havia comentado com um amigo que eu sairia deste universo ou ele sairia comigo. Fiquei feliz que foi nessa ordem.

Esse tempo não foi fácil. Mesmo com todo acerto, as contas não iam fechar. Comecei a trabalhar numa startup (Polarr.co) que não pagava as contas que eu já tinha, mas me fez conectar de alguma forma com o universo que eu queria estar: a fotografia. Comecei a fazer freelas pra ajudar segurar as pontas. Virei Uber pra ver se conseguia alguma estabilidade. Fiz trabalhos de fotografia quando de fato adquiri algum conhecimento na area. A parte que sobrava das contas eu investia com todo meu coração no Antility. Foi muito tempo e energia gastos em várias direções.

Pedi ajuda pra família quando a coisa ficou feia. Confesso que gostaria de ter dividido isso ao longo do caminho. Contar uma história quando o furacão já está quase passando e o céu começa a ficar azul de novo, fica mais fácil. Mas não me sobrava energia para escrever um texto pseudo-desabafo-auto-ajuda. E também, sobrava vergonha de toda esta situação. Afinal, o que o mundo tem a ver com meus problemas, né? A real é que não tem mesmo, mas se o meu problema for parecido com o de outra pessoa, isso nos conecta e ajuda a aliviar a barra, por mais dura que ela seja. Não foi o meu caso.

“Mas noooosssa, como assim um cara que foi bolsista e se formou na maior faculdade de marketing da America Latina, trabalhou nas maiores agências e empresas digitais do mundo não consegue um emprego?”, alguns diziam por ai. A real é que eu não era chamado pra nenhuma entrevista, talvez porque não gostaria de estar num emprego que não acreditasse e isso me afastava de qualquer armadilha. Olhava o perrengue como algo bom, ao invés de buscar fazer algo que não fazia mais sentido pra mim. Eu estava cansado de um sistema enferrujado. Essa é uma escolha difícil. Especialmente quando mexe com o emocional e o bolso. Todo esse sistema te força a voltar para os trilhos, mesmo que nada daquilo faça sentido pra você. Ir contra isso te machuca de várias formas. Você tem que ser forte. Tem que dar a volta por cima. Não pode simplesmente sentar no canto do quarto e chorar.

Senti desespero? Todos os dias. Fiquei sem sono? Muitas noites. Chorei sozinho? Pra caralho. Mas eu acredito em arriscar e sonhar sonhos sobre um mundo que queremos viver, por mais que todas as outras pessoas estejam querendo provar o contrário.

A situação melhorou de lá pra cá? Em partes. Hoje as coisas começam a se estabilizar, estão crescendo e evoluindo aos poucos. Todo o esforço, mesmo que sem direção, acabou me levando para fora do furacão. Estou numa startup que permite pagar minhas contas com certa folga e me dá tempo e energia de investir naquilo que amo. O Antility está crescendo um passo depois do outro e é onde deposito boa parte da minha energia.

Tá Dan, mas o que você aprendeu com tudo isso?

Aprendi a dar valor as pequenas coisas

Como já não passava de 12 a 16 horas na agência, comecei a ter mais tempo de me encontrar com amigos e a família. A ver o sol se pôr numa tarde de Outono, por exemplo.

Aprendi a me organizar melhor

Era comum todo o resto do mundo e as coisas que aconteciam nele, definir como ia ser o meu dia. Ele não era organizado por mim, mas sim pelas outras pessoas e pelas coisas que aconteciam nele. Eu estava apenas reagindo e não vivendo como gostaria de viver.

Aprendi sobre o essencial

Nunca fui tão apegado a objetos, roupas e pessoas, mas quando você se encontra numa situação onde a sua energia precisa de um foco, é preciso se desapegar ao máximo. Nem todos vão entender, mas não tem muito o que você possa fazer sobre isso, a não ser fazer o que te faz bem.

Aprendi sobre o tempo das coisas

Estava acostumado a prazos de entregas surreais e realmente achava que tudo bem. Sexta-feira a noite, sábado, domingo. Ficar até as 5 a.m na agência, de boa. Acreditava mesmo que eu era o cara super produtivo e competente. A real é que não. Algo bem feito e com o coração, leva tempo. Não é pra ontem, mas sim pra daqui alguns dias. Isso, se aquilo for realmente essencial de ser feito. Se eu não faço algo com o coração, por que eu estou fazendo isso mesmo?

Aprendi a questionar mais e aceitar menos

Não me questionava disso, daquilo ou daquele outro, apenas fazia. Fazia e fazia. Achava que era o meu dever ajudar alguém a fazer mais dinheiro vendendo algo. Mas ai você para e pensa que quando você não está mais ajudando os outros a ganhar o dinheiro deles pra você receber o seu, simplesmente porque foi demitido, quem é que vai aparecer na sua porta e falar: Dan, eu sei que são 5 a.m, mas cara estou aqui pra te ajudar a ganhar dinheiro. Vamos lá? Acho difícil, se você souber de alguém, me conta.

Aprendi que a vida é uma montanha-russa

As vezes você vai estar lá no alto. As vezes pode ser que esteja lá embaixo. O que vai importar no final é como você vai sair do carrinho sorrindo e entrar na fila pra ir de novo. Mesmo que aquilo te deixa tonto, enjoado e com frio na barriga. Faz parte e a gente precisa saber não somente enfrentar o sucesso, mas enfrentar e viver os fracassos com a mesma intensidade. Não precisamos ser os resolvedores de tudo o tempo todo, precisamos apenas ser nós mesmos.


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