Finitude

Escutem os mais velhos. Ou escute quem já viveu.
Sabem mais, aqueles que já estiveram lá.

Vale para “quando você for mãe você vai ver”.
Vale na maioria das vezes para “você não devia namorar esse cara”.

Vale para pedir ajuda no dever de casa ou no trabalho.
Vale quase sempre para “estude para ter uma vida melhor que eu”.

Uma prima de segundo grau, que acabou de perder a avó — minha tia — escreveu algo como “não há morte boa, todas são ruins”.

Vale para fim de namoro.
Vale para aquele emprego que não mais te satisfaz.
Vale para aquela amizade que nem era tão amizade assim.
Vale até para aquela dieta que só te trazia mais agonia ao consumir,ou não, açúcar ou ovos, ou trigo, ou….

Concordo com minha prima. Toda morte é ruim.

E completo: uma morte que é uma boa experiência para quem fica, não é morte. É alforria. É descarrego. É rendição. É soltura. É livramento.

Há 3 anos, 3 meses e 10 dias meu pai se foi.
Não foi de repente, mas ainda assim foi rápido demais.
Foi muito, muito ruim. Mas não tão ruim quanto é para outros. 
Ele foi aos 88 anos, muito bem vividos e produtivos. E não pensei, nunca, que ele não chegaria aos 90. Todas as outras pessoas, abaixo dos 80, se tornaram jovens demais.
Ele não podia mais assinar seu nome, com sua linda caligrafia, 1 mês antes de falecer. Qualquer tremor de mãos, agora, me faz tremer a alma.
Ele não mais conseguia comer bolo de aniversário, que adorava. E isso, já deveria ser desculpa suficiente para eu largar mão da dieta e ser uma gorda feliz e ponto.
Mas..ele era disciplinado com a saúde…e eu o admirava nisso também. Então, exemplos bons devem ser seguidos…
Nada de material que ele construiu foi com ele. Aprendí que caixão não tem gavetas.
Mas o que construiu serviu de conforto em sua velhice. Entendí que temos que ser precavidos também. Agora falta aplicar o que entendí.

Depois que você perde alguém muito, muito amado, as mortes que passam por perto, mesmo as que não têm nada a ver com a tua vida — todas elas — ganham um peso diferente. Uma vez conhecida, esta dama sempre será reconhecida.

Sinônimo na afinidade do doer, fica a infinita saudade.

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