A ambição da Globo e a péssima Transmissão do Oscar

Por mais que a Glória Pires tenha dado explicações através de um vídeo fofo nesta última segunda, tentando justificar as suas gafes na transmissão do Oscar pela Rede Globo, está mais do que provado que a emissora não respeita o cinema e muito menos os seus telespectadores. Coloca a transmissão na sua grade apenas por vaidade (não teríamos outras emissoras interessadas?), já virou lugar comum dizer que ela passa vergonha todos os anos, não apenas pela cobertura (diga-se de passagem, já que Artur Xexéo e Maria Beltrão a conduziram muito bem e ainda trouxeram Glória Pires, a nova rainha dos memes), mas principalmente pela falta de interesse notável com a qualidade da própria transmissão.
 É consenso que na TV aberta a audiência da premiação não é muito alta e que comercialmente falando é um produto inviável, mas porque insistir em algo que não vem dando certo? Para não correr o risco da Record ou do SBT realizarem o trabalho? E para piorar erraram duas vezes, na TV aberta e na fechada. Iniciaram a cobertura do tapete vermelho no canal GNT, de forma vergonhosa, deselegante e sem nenhuma pesquisa. Terrível. Nem para gerar memes divertidos serviu.
 O problema é que desde a década de 70 — salvo o período em que ficou no SBT, que mesmo com algumas falhas, dava banho na cobertura promovida pelo canal de Jacarepaguá — o Oscar nunca recebeu a necessária atenção aqui no Brasil. A Globo mantém a baixa qualidade da cobertura e isso também reflete na falta de interesse do público e consequentemente na baixa audiência. Exibe a cerimônia atrasada, com cortes iniciais, já que não abre mão de sua grade fixa e prefere dar lugar ao cansado BBB. Colocam convidados duvidosos, com a rara exceção do saudoso José Wilker, e subestima o telespectador, que pensa ela, não entende de cinema.
 No seu canal fechado, um verdadeiro banho de comentários grotescos, rudes e desinformados. Lilia Pacce, prata da casa no quesito moda, não sabia nem por quem eram assinados os modelitos. Faltou tempo para pesquisa? Astrid, por mais divertida que seja, não sabia quem era quem no tapete vermelho e o Hugo Gloss, prefiro não comentar a vergonha alheia. Ah! Tinha um quarto elemento na cobertura, o terceiro do estúdio que dá até preguiça de lembrar.
 Mudando de canal, a Turner como sempre deu um banho no grupo nacional, com sua já tradicional cobertura nos canais TNT e E! Mostrou como se faz uma cobertura de verdade e reinou na audiência. Na TNT, algo com mais conteúdo acerca dos filmes, com a novidade da presença no tapete vermelho, ao vivo, da Carol Ribeiro, que demonstrou simpatia e relativo domínio do conteúdo. No E!, uma cobertura com atenção devida ao tapete vermelho e as celebridades que por ali passavam. É certo que a tradução simultânea do TNT sempre apresenta seus erros, mas nada que atrapalhe o brilho e o cuidado com a cobertura; afinal o grupo Turner transmite os eventos para toda a América Latina há um bom tempo e tem um cuidado impecável pelas informações repassadas (exceto o chato do Rubem Ewald Filho que deveria ficar calado em muitos momentos).
 Para piorar, o grupo Globo está oferecendo o dobro do que a Turner paga atualmente a Disney, detentora dos direitos, para que a partir de 2018 ela possua os direitos exclusivos tanto na TV paga, quando na TV aberta. Se isso ocorrer, vamos ter que nos adaptar aos streamings ou aprimorar o inglês para ouvir somente na tecla SAP. Salve-se quem puder.


Originally published at anallogicos.com.

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