nova iorque com amor

Eu não sei se é porque eu finalmente consegui terminar de assistir todas as temporadas de Gossip Girl, ou se é porque em breve vai fazer um ano desde que eu fiz essa viagem mas não consigo tirar Nova Iorque da minha cabeça. Até me sinto mal por isso porque com tanta coisa acontecendo na vida eu tô com esse sentimento nostálgico bem white boy. Só que não consigo evitar. Foram poucos dias mas acho que o que tornou essa viagem tão marcante pra mim foi conseguir ter um dia-a-dia de “local”, ou o mais próximo disso. Não fui a museus, não fechei um city tour, fiquei na casa de um cara que conheci através de terceiros e que se tornou uma das pessoas mais especiais pra mim, de um jeito que não consigo explicar muito bem. Ele é brasileiro mas mora lá há alguns anos e, como o trabalho dele na época era bem flexível, me levou pra passear algumas vezes e rapidamente nos tornamos amigos. Era muito bom participar da rotina do Herick, comprar comida chinesa no cafundó do Brooklyn ou ir cortar cabelo por 10 dólares.
Queria ter ficado no mínimo um mês inteiro por lá. Na época foi estranho: assim como quase todo meu intercâmbio do ano passado, tive a impressão de que já conhecia tudo e só estava de passagem mesmo. Muita conversa e iced coffee do Dunkin Donuts na areia quente de Coney Island, ouvindo música mexicana, conhecendo mais esse meu novo amigo que hoje quero tão bem. Aliás, Coney Island era um dos lugares que eu sempre quis conhecer desde novinho, fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de ir pra lá.
Não fiquei fascinado pela Times Square, era muito turista reunido, muito pau de selfie. Claro que as luzes impressionam, mas pra quem tem Vanilla Sky como filme favorito, a cena do David correndo nela vazia já foi vista mais de 100 vezes, não tinha como eu achar mais legal do que aquilo.
Minha pegada mesmo era colar no 7-Eleven, pegar umas fatias de pizza e um café e sair batendo perna sem saber aonde é que eu tava na verdade. Numa dessas caí no SoHo, e só percebi porque a galera era bem fashionista. Meus últimos dólares foram em lojinhas tipo H&M, porque era aonde dava pra eu gastar. Pra não dizer que não fui turistinha 3000, confesso que também comprei Calvin Klein na Century 21 (muito brega).
Foi nessa viagem que eu conheci outro amigo meu, o Pedro, e ele me levou pra um bar famosinho que nunca vou me lembrar o nome, mas era um rooftop e a Madonna tinha gravado o seu último clipe lá. A vista era demais, mas o pessoal era meio esnobe e até fiquei tímido pra tirar foto. Nesse dia comemos no Chelsea Market uma comida mexicana que também era meio pretensiosa e eu odiei, mas valeu o passeio.
Outro dia andando sozinho cheguei no Bryant Park e não lembro porque mas me senti muito feliz. De qual filme ou livro tem alguma passagem que fala dele? Sentei por um tempinho, observei a galera lendo, comendo, fumando cigarro, esperando pessoas, segui batendo perna explorando sem rumo.
O mais próximo que cheguei de um museu foi — claro — sentar nas escadarias do Met, e eu tinha um copo de café do Starbucks comigo. Nesse dia me permiti caminhar pelo Central Park ouvindo música, fingindo que era morador do Upper East Side e ignorando totalmente o fato de que fatalmente iria me perder no metrô pra voltar pro Brooklyn. Daniel, sendo Dan na vida real.
Acho engraçado que essas memórias estão me invadindo tão ferozmente nos últimos dias. E só agora eu consigo perceber como eu desde pequeno tive referências de NY e como eu me lembro hoje, adulto, 25 anos, que meu maior desejo de adolescente era ir pra lá. Meu livro favorito aos 16 era The Catcher in the Rye e meu filme favorito até hoje é Vanilla Sky mas eu também adoro Autumn in New York ou qualquer filme que se passa por lá. Sobre Catcher in the Rye, um dos meus life goals completados foi pedir um dry martini em um bar nova iorquino, e no 4th of July eu tava lá, em um rooftop de um hotel, com uma vista linda pro Empire State, comprando o drink de 15 dólares que me fez voltar no tempo e pensar porra, como a vida é massa. Ostentei, mas voltei de metrô com meus novos amigos pra casa.
Essa vontade repentina de voltar, uma melancolia inesperada que me causa um frenezi totalmente oposto: tá brotando em mim uma ambição, coisa que não é nada recorrente. Será que eu tenho — finalmente — um objetivo a alcançar?
Não sei se conseguiria meter o louco e partir ilegalmente, lavar prato e me fuder. Também não sei se o lance seria juntar uma grana e só viver lá por alguns meses como alguns conhecidos já fizeram. Tenho noção de que trabalho, legal, é uma realidade meio inalcançável mas e se a minha ambição não tiver limites? Isso que é meter o louco..
Quando eu penso em NY me vem um filme na cabeça e eu estou andando pela Broadway com meus fones, as pizzas do 7-eleven, o iced coffee do Dunkin Donuts e a vida toda pela frente. Quero tudo de novo e mais, não sei nem por onde começar mas eu quero.

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