A educação brasileira golpeada

O governo brasileiro anunciou hoje uma pacote de medidas que alteram as bases do Ensino Médio. Entre as medidas, algumas disciplinas voltaram a habitar as margens do currículo comum brasileiro. Que o Ensino Médio está aos frangalhos não é novidade e como professor preciso admitir que mudanças são necessárias. A pergunta que fica é: quais mudanças e como fazê-las?

O anúncio foi bastante perturbador. Claro, vem de pessoas em quem não confiamos, impondo novos programas políticos que não estão bem desenhados, fazendo com que qualquer manobra política apareça apenas como uma mera atitude de negação ao programa anterior. É que já está entendido que qualquer novo político sempre desenvolverá o sintoma de atribuir ao líder anterior um status de incompetente, desqualificando sobretudo qualquer medida autoral e que habitem os pilares chave de qualquer nação — a saúde, a segurança e a educação.

O grande problema já é antigo. Decisões unilaterais sem consulta pública, sem ouvir especialistas e sem oferecer respeito aos atores mais envolvidos no drama — professores e alunos. Por que ainda estamos discutindo o currículo brasileiro pelo que deveria ser obrigatório ou não? Essa não me parece ser mais uma discussão fértil, pois ela pressupõe que a escola continua sendo um espaço de reprodução do que a vida fora dela determina. Esse tipo de decisão continua desfavorecendo o real protagonismo das escolas brasileiras. É um programa que associado à escola sem partido e a outros mecanismos de silenciamento continua negando aos estabelecimentos estudantis a definição de seus próprios fins e o cultivo da sua autonomia.

O que é a escola? Quem é seu aluno? O que faz um professor? Recentemente fui abordado pelos meus chefes para responder a essas perguntas. Pensando um pouco sobre o aluno respondi: “ aluno é aquele que dorme, é meu trabalho despertá-lo. Isso se faz inspirando, desenvolvendo sonhos e talentos. Dando a eles propósitos de vida e senso de utilidade”. Bem, sou suspeito para dizer que considero a Arte um instrumento poderoso que pode nos ajudar muito a chegar lá. Mas acho que nenhum amigo professor de Arte me crucificará se eu concluir que só a autonomia vai de fato nos mostrar o caminho.

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