A despedida de um ídolo raro

Não faltaram motivos para que a temporada 2015/2016 da NBA entrasse para a história, mas um deles só ficamos sabendo agora — embora a probabilidade de ele ocorrer fosse bastante alta.

Os fãs do basquete não verão mais em quadra o astro Tim Duncan, ala-pivô do San Antonio Spurs que anunciou sua aposentadoria aos 40 anos. A decisão foi comunicada no site da franquia.

A discrição com que Duncan anunciou sua aposentadoria, após uma temporada marcada pela despedida a Kobe Bryant, pelos recordes sucessivos do Golden State Warriors e pelo título inédito dos Cavs, não supreende quem acompanha a carreira do jogador desde que, junto com David Robinson, formou a dupla conhecida como Torres Gêmeas, que levou o Spurs ao título em 1999.

Em um esporte tão associado com o espetáculo, é notável que um de seus maiores ídolos preocupe-se unicamente com o objetivo primordial, às vezes esquecido, do jogo: colocar a bola dentro do “cesto”.

Avesso às redes sociais, Duncan sempre se manteve distante da badalação que caracteriza a carreira de boa parte dos seus colegas. O recém-aposentado jogou por apenas uma equipe durante toda a carreira, apesar de propostas milionárias. Algo emblemático no momento em que o melhor jogador da liga, Kevin Durant, recebe críticas por trocar o OKC pelo Golden State Warriors.

Mas um dos fatos mais surpreendentes sobre o jogador veio à tona nesta semana, revelado pelo The Wall Street Journal. Duncan é coautor de um artigo acadêmico intitulado Blowhards, Snobs and Narcissists: Interpersonal Reactions to Excessive Egotism (em tradução livre: Fanfarrões, esnobes e narcisistas: reações interpessoais ao egoísmo excessivo), escrito em 1995, quando era aluno da Universidade Wake Forest. Enfim, um ídolo não convencional.

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