“Revival”, o disco bem feitinho da Selena Gomez

Podem passar os anos, séculos, tufões e terremotos, mas a Disney vai continuar lançando carreiras de astros mirins para fazer milhões de dólares pelo mundo todo.

Eu sou suspeito para falar sobre os artistas que provém dessa fábrica de estrelas. Sou obcecado por Britney Spears, e tenho amor por várias outras crias da empresa, como Aguilera, Timberlake, Demi Lovato e até mesmo Miley Cyrus. Cada um em sua geração.

Selena Gomez, ao menos na minha percepção, foi sempre a mais fraca das teenagers/atrizes/cantoras dessa última fornada Disney. Tudo bem que ela e as demais, como Miley e Demi já largaram esse posto e desvincularam-se da imagem de garotinhas inocentes há um certo tempo. Mas, musicalmente, Selena ainda não tinha dado nenhum passo correto.

Revival é o 5º disco de inéditas da cantora texana, e o ar de “freshness” que eu senti ao ouvir esse álbum não se compara à quase nenhum lançamento pop recente. Vindo de canções manjadas, sem identidade e pífias, feitas por meio de receita de bolo, para atingir um público que só quer saber da batida, a faixa Good For You, mesmo que um pouco sexualizada mostrou que a, até então garotinha, tomaria outros rumos no novo trabalho. E o lançamento do seu quinto trabalho mostrou exatamente isso.

Selena não é a melhor cantora/dançarina/performer da sua geração, mas fez um trampo honesto. Eu tenho a sensação de que ela e o produtores devem ter pensado: “Meu alcance vocal não é o da Christina Aguilera, e meus passos de dança não são como os da Britney. Vou fazer o que sei”, e fez bem feito. Revival não tem uma canção ruim sequer. Não é o melhor álbum pop do ano, porque esse título eu daria para Carly Rae Jepsen, com EMOTION, mas me faz dançar e cantar do começo ao fim. Não paro de escutar e até comprei a cópia física do disco.

Canções como Hands to Myself (minha predileta), Me & The Rhythm, Survivors e Same Old Love, nos fazem enxergar que ela evoluiu musicalmente e sabe até onde pode ir. Até mesmo a balada Camouflage, traz uma Selena vulnerável, lembrando bem a garota de The Heart Wants What It Wants (ponto da carreira onde ela começou a mostrar o que realmente gostaria de cantar/criar/fazer).

Talvez tenham sido as amarras empresariais e as decisões do passado, envolvendo investimentos milionários e direcionamento de público, esses artistas teens (e não só eles) devem sofrer muuuuuuito com censura, pressões e imposições na carreira. Revival mostra que Selena, se não se libertou de tantas ordens, ao menos encontrou uma forma, muito bem feita por sinal, para se expressar e botar sua “arte na rua”.

E se você vier me dizer que música POP não é arte, senta aqui porque nós vamos ter uma longa conversa, e eu quase nunca gosto de sair perdendo.

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