Só não faça alguém sofrer!
Se você está lendo isso agora, e tem quase certeza de que alguém está ouvindo Adele (o disco novo tá de chorar de bom) e derramando algumas lágrimas em seu nome, é melhor continuar a sua leitura. Vem comigo!
- (se essa pessoa, no caso, for você mesmo, vem cá pra eu te abraçar).

Eu não sou formado em psicologia, mas nos 20 e tantos anos de vida que me cabem, junto às poucas experiências de relacionamentos que tive, eu já pude perceber que não há nada mais cruel, mais sórdido, mais detestável nessa vida do que sofrer por alguém.
E eu não tô falando do sofrimento de estar amando alguém a distância, sem nem ter conhecimento do sentimento do outro, eu falo das situações que nós mesmos (ou melhor, alguns de nós) causamos ao próximo. Próximos que só você sabe quem são, e pouco me interessa quem sejam (a não ser que você queira desabafar nos comentários logo ali em embaixo). Falo das pessoas que passam a sofrer por alguém que lhes causou dor.
Eu nunca namorei alguém para dizer com propriedade o quanto é difícil levar uma relação a frente, com equilíbrio, serenidade e respeito. Mas, assim como você, já sofri por alguém, involuntariamente ou não.
O involuntário é nutrir algo por alguém que nem mesmo sabe do que você sente e nem imagina o tanto de sentimento que você deposita quando compartilha trechos de canções do Coldplay, ou de qualquer outra banda cool, que tenha uma faixa falando sobre como é bom, mas ainda sim ruim amar tanto alguém. “How deep is your love?”
Puxado mesmo é sofrer com motivo. E eu acho que a maioria das sofrências vem de relações, não necessariamente amorosas, que não percebem o quanto a atitude de um, interfere na existência do outro. Calma, não tô dizendo que você é culpado por fulano estar na merda, mas de alguma forma, você pode ter comprado a passagem para pessoa ir até lá.
É bem difícil amar alguém, e às vezes a gente nem tem o controle desse sentimento. Ele surge, tipo janela pop-up, de repente você se vê querendo acompanhar a pessoa em todas as redes, saber por onde ela anda, o que faz, com quem está. Isso é a vontade de fazer cada vez mais parte do universo dela. Mesmo sabendo que ela pode quebrar seu coração em milhares de pedaços. Assumir relacionamentos, com amores e amigos, é sujeitar-se ao inédito. A gente não sabe (nunquinha) o limite do amor, e da canalhice de ninguém. É tipo a máxima “ninguém é perfeito e muito menos insubstituível”, não é mesmo. Nunca esqueça disso!
Focando na questão central desse papo, que pode estar até um pouco confuso, o lance é refletir os seus passos a fim de amenizar o sofrimento do outro. Nunca vai entrar na minha cabeça, por exemplo, um relacionamento onde a traição é constante e, de alguma forma, comum. Se a pessoa está comigo, ela está comigo. ELA NÃO É MINHA, JAMAIS SERÁ. MINHA MESMO É A DÍVIDA QUE EU TENHO COM O ITAÚ. Mas ela se comprometeu a partilhar a felicidade comigo, pra que me sugerir algo que não vai concretizar, entende?
Se não entende também, não tem problema. Acho que certas lições a gente só aprende vivendo. E eu mesmo vejo que tenho muito a viver e consequentemente aprender ainda.
A ideia de escrever essas linhas hoje veio de um momento onde eu paro e penso: “o quanto menos eu puder fazer alguém sofrer por conta de uma palavra, gesto ou atitude minha, melhor!”. Quais marcas você quer deixar na vida de alguém? “Marcas da Paixão” só é sucesso na tv, porque na vida real, dói pra valer.
Eu tenho certeza que você não quer ser aquele ciclano que tem que ser ignorado em todas as redes sociais (EU DISSE IGNORADO, não bloqueado ou deletado, porque isso é too much humiliation) para quem foi sua “vítima” não sentir mais aquela dorzinha quando vê uma foto ou check-in seu, por mais bobos que sejam. Sim, porque checkin em qualquer rede e foto, principalmente no instagram, é pra esfregar felicidade na cara de alguém. Mesmo que não seja a intenção do usuário, o efeito da postagem é esse. NÃO FINJA QUE NÃO TÁ ME OUVINDO, PORQUE EU TE VEJO DAQUI!
Vingança contra alguém é também a atitude mais infantil que você pode ter EVER, na sua vidinha. Saia por cima, de jatinho, dando tchau, mas sem cuspir nos outros. Quando você pousar vai cair bem na sua testa, a gravidade é a prova de gente idiota. E isso é tão ruim quanto justificar sua ruindade no que alguém já te fez passar.
Bom, não dá pra ter certeza e nem calcular cada mínimo ato que ocorre em nossas vidas, muito menos ser responsável pela do outro, mas dá para fazer algo do tipo: pensar duas vezes antes de falar ou interferir na felicidade de alguém?
Pensar nas consequências que as suas atitudes e demonstrações de afeto, por menos que elas signifiquem para você, podem ter na vida da outra pessoa, é no mínimo ser saudavelmente altruísta, e assinar o atestado de bom cidadão. Você não promove a paz mundial, mas já vai colaborar com a economia de lenços de papel do mundo, consequentemente o desmatamento das árvores, a diminuição de compartilhamentos sofridos no facebook, e até mesmo a audiência de Greys Anatomy no seu Netflix. (Pq a gente vê Greys pra chorar, nenom?)
Não queira ser alguém que é excluído da vida de alguém tipo um calçado antigo. Dê espaço para coisas novas, e deixe o que não te serve mais passar pra frente.
Deixe ele (a) chorar, mas não deixa sofrer…
(tô escrevendo tudo isso e juro que vou tentar aplicar na minha vida também, ok? Brigado!).