O Despertar da Fotografia

Há mais ou menos 22 anos, meu pai comprou uma câmera ZENIT. Ela era linda, com uma textura preta no corpo que agora, ao escrever isto, pude lembrar da sensação em meus dedos quando a peguei pela primeira vez.

Foto: Imagens do Google

Ela ficava ainda mais imponente quando meu velho a colocava dentro de uma capa de couro preto, que torneava todo seu corpo. Ainda posso sentir aquele cheiro como de uma jaqueta do mesmo material recém comprada.

Ah! Não vamos esquecer o local onde ela dormia: a famosa bolsinha amarela da Kodak. :)

O fato era que aquele equipamento, não muito familiar, era bonito demais, mas não sabia ao certo sua serventia. Câmeras fotográficas naquela época, eram do tamanho da palma da mão de um adulto e aquela era monstruosa.

Lembro de ir até a vendinha (o R$ 1,99) da avenida principal do bairro buscar os primeiros filmes que “queimamos”…rs. Não lembro de marcas, iso ou quantidade de poses, só lembro das instruções: “Vai lá e compra um filme que vamos sair hoje a noite. O que der pra comprar.”

Existia, e ainda existe, um boulevard no centro da cidade e lá foi o palco de nossas primeiras experiências. Estávamos minha mãe, meu pai, minha irmã e eu. Ficamos algumas horas alí posando junto aos chafarizes, nas estátuas próximas da igreja e em algumas construções decoradas com plantas e flores. Até eu tive a chance de dar um ou dois cliques.

Nesse mesmo dia, minha irmã estava com febre e aproveitamos para passar no hospital, a poucos metros dalí…rs. Na época não foi tão engraçado.

No dia seguinte, tive a tarefa de levar os filmes para revelação, na mesma vendinha que o comprei. O senhor de óculos “fundo de garrafa” pegou o filme da minha mão e disse que ficaria pronto no dia seguinte. Devo ter me perguntado sobre demora para fazer daquele “tubinho” virar algumas fotografias vindas naqueles pequenos álbuns com a capa florida, mas tudo bem.

No outro dia, voltei e peguei um envelope branco, com o mesmo senhor dos óculos fundo de garrafa, e levei pra casa. Estava curioso, mas não abri.

Meu pai trabalhava à noite e dormia algumas horas durante o dia, por isso tive que esperar ele acordar para abrir o envelope junto com ele. Esperei…

Ele acordou, lavou o rosto, escovou os dentes, sentou na mesa para tomar o café e pegou o envelope…

Estava tudo escuro. Todas as fotos ficaram só com alguns vultos coloridos. Eu vou garimpá-las na casa da minha mãe e colocar aqui.

Era muito estranho. As outras fotos que tinha visto na vida, até então, davam pra ver algumas coisa, ué. Meu pai também não sabia o que tinha acontecido.

Fotos escuras fizeram parte dos nossos passeios por um bom tempo. Algumas saiam boas, mas a maioria todas escuras. Acho que meu pai nunca se interessou muito em saber o motivo daquilo e depois de um tempo vendeu a câmera. Eu não me importei muito pra falar a verdade, mas fiquei com esses momentos registrados na memória.

Estudei e me formei em Comunicação Institucional e Comunicação Visual e hoje, aos meus 29 anos, trabalho como Designer. Sempre gostei muito de desenhar e criar coisas novas, mas nunca tinha pensado em como a fotografia poderia contribuir com meu trabalho.

Há uns dois anos, voltei a ter contato com ela. Mais precisamente em uma ONG que trabalhei. Tinha um rapaz que era responsável pela fotografia e pelos vídeos da organização. Fui voltando a ter contato e a ficar curioso novamente sobre como isso tudo funcionava.

Tinha um celular da marca NOKIA, modelo Lumia 830, que possuía uma câmera interessante. Pelo que lí, a empresa finlandesa era uma das melhores fabricantes de câmera para smartphones até o momento.

Foto: Microsoft

Descobri os controles manuais como ISO e a velocidade do obturador e fui testando e estudando em cima disso. Perguntava pro rapaz que cuidava do audiovisual da ONG o que era isso, o que era aquilo…

Nesses breves estudos, fui percebendo e relembrando a fotos escuras tiradas com meu pai. Fui encaixando as peças do quebra-cabeça e vendo que todos aqueles botões da ZENIT tinham um motivo para estar lá. Que aqueles números inscritos na embalagem do filmes que comprei com o senhor de óculos de “fundo de garrafa”, tinham um motivo para serem ISO 100.

Está sendo lindo redescobrir isso. :)

Há quatro meses, comprei minha primeira câmera fotográfica, uma DSLR da Canon (t5i).

Foto: Canon

Estou estudando muito a técnica e a arte para que a fotografia continue fazendo parte da minha vida e do meu trabalho.

O que era só paixão está se tornando amor de verdade.

Um abraço!
Danyllo Franco

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