acordei como se me roubassem o livro que eu estava a ler.

que livro lias, perguntou meu pai.

nenhum, respondi, ainda inocente do desconforto que é ter de duvidar do próprio filho.

quem te roubaras, perguntou meu pai.

ninguém, respondi, ainda certo da lógica que apenas os sonhos infantis propiciam.

quando acordastes, perguntou meu pai.

nunca, murmurei, só então consciente do silêncio que a educação de meu pai exigia.