A Reta Final

Texto original por Tim Urban, autor do blog Wait But Why?

Traduzido e (levemente) adaptado por mim.


Isto é uma representação visual da vida humana, em anos:

Em meses:

Cada linha são 36 meses = 3 anos

E em semanas:

Horizontal = semana do ano / Vertical = idade

Também fiz uma representação por dias, e no início achei que seria desnecessário mostrá-la aqui, mas dane-se.

2 linhas = 1 ano, cada seção = 1 década

Mas há algum tempo eu venho pensando em algo diferente.

Ao invés de medir sua vida em unidades de tempo, você pode medi-la em atividades ou eventos. Usando eu mesmo como exemplo:

Tenho 34 anos, então vamos ser super otimistas e dizer que estarei por aí desenhando bonecos de palitinho até meus 90 anos. Se for o caso, ainda tenho pouco menos que 60 invernos sobrando:

E talvez uns 60 Superbowls:

O mar está congelando de frio e colocar meu corpo na água gelada é uma experiência desagradável, então tendo a limitar minhas idas ao mar a uma vez por ano. Por mais estranho que pareça, eu talvez só entre no mar mais 60 vezes na minha vida:

Sem contar as pesquisas para o blog, eu leio mais ou menos cinco livros por ano, então mesmo que aparentemente eu ainda vá ler uma infinidade de livros no futuro, na verdade vou ter que escolher apenas 300 de todos os livros que existem por aí, e aceitar que partirei para a eternidade sem saber o que todos os outros contêm.

Crescendo em Boston, eu ia pros jogos do Red Sox o tempo todo, mas se eu nunca mais me mudar pra lá, vou provavelmente continuar na minha frequência de um jogo a cada 3 anos — o que significa que essa linhazinha de 20 representa minhas visitas restantes ao estádio:

Já houve 8 eleições presidenciais durante minha vida, e 15 mais estão por vir. Já vi 5 presidentes trabalhando, e se essa frequência continuar, verei mais 9:

Eu provavelmente como pizza mais ou menos uma vez por mês, então tenho aproximadamente 700 chances de comer pizza. E eu tenho um futuro ainda mais brilhante com bolinhos chineses. Eu como comida chinesa cerca de duas vezes por mês, e costumo comer uns 6 bolinhos por vez, então ainda tenho uma porrada de bolinhos à vista:


Mas não é sobre essas coisas que eu venho pensando. A maioria das coisas que eu acabei de mencionar acontecem com uma frequência similar durante cada ano da minha vida, o que as distribui de forma mais ou menos igual no tempo. Se eu já estou no primeiro 1/3 da minha vida, também estou no primeiro 1/3 de experimentar essas atividades ou eventos.

O que eu ando pensando mesmo é aquela parte realmente importante da vida que, ao contrário desses exemplos, não é distribuída de modo uniforme no tempo — algo cuja taxa de “Já Feito / Por Vir” não se alinha de jeito nenhum com o ponto da vida em que me encontro:

Relacionamentos.

Estive pensando nos meus pais, que já estão na faixa dos 60. Durante meus primeiros 18 anos, passei algum tempo com eles durante pelo menos 90% dos meus dias. Mas desde que fui pra faculdade, e mais tarde quando saí de Boston, tenho visto eles numa média de 5 vezes ao ano apenas, durante mais ou menos dois dias por vez. 10 dias por ano. Cerca de 3% do tempo que eu passava com eles em cada ano da minha infância.

Como eles já estão nos 60 e poucos, vamos continuar bem otimistas e dizer que eu sou uma daquelas pessoas de sorte que ainda vai ter ambos os pais vivos aos 60 anos. Isso nos daria mais 30 anos de convivência. Se aquele lance de 10 dias por ano se mantiver, serão 300 dias restantes para curtir com mamãe e papai. Menos tempo do que eu passei com eles em qualquer um dos meus 18 anos de infância.

Quando você olha pra essa realidade, você percebe que apesar de não estar no final da sua vida, você pode muito bem estar chegando no final do tempo com algumas das pessoas mais importantes da sua vida. Se eu registrar o total de dias que eu passei e passarei com cada um dos meus pais — assumindo que serei tão sortudo quanto puder — isso se torna absurdamente claro:

Acontece que, quando me formei no ensino médio, eu já havia usado 93% do meu tempo cara-a-cara com meus pais. Estou aproveitando os 5% que restam desse tempo. Estamos na reta final.

A história é parecida para minhas duas irmãs. Depois de morar na mesma casa que elas por 10 e 13 anos respectivamente, agora eu moro do outro lado do país e passo talvez uns 15 dias com cada uma por ano. Com sorte, isso nos deixa com cerca de 15% do nosso tempo total de convivência.

O mesmo vale pra velhos amigos. No colégio, eu jogava truco com os mesmos 4 caras cerca de 5 dias por semana. Em quatro anos, nós devemos ter tido uns 700 encontros no total. Agora, espalhados pelo país com vidas e agendas totalmente diferentes, nós 5 nos encontramos na mesma sala mais ou menos 10 dias a cada década. O grupo está nos seus 7% finais.

Então, o que fazemos com essa informação?

Deixando de lado minha esperança que os avanços tecnológicos me permitam viver até os 700 anos, eu vejo 3 lições a serem tiradas disso tudo:

  1. Morar no mesmo lugar que as pessoas que você ama importa. Eu tenho provavelmente 10x mais tempo restante com as pessoas que moram na minha cidade do que aquelas que moram em algum outro lugar.
  2. Prioridades importam. Seu tempo restante com qualquer pessoa depende enormemente de onde essa pessoa se encontra na sua lista de prioridades. Tenha certeza que essa lista é definida por você mesmo — e não por uma inércia inconsciente.
  3. Tempo de qualidade importa. Se você já está nos 10% finais com alguém que ama, mantenha essa informação no topo da sua mente quando estiver com ela e trate este tempo como o que ele é de fato: precioso.