
AMOSTRA GRÁTIS
Passaram uma noite saborosa e performática, ele queria mais.
A princípio estranhou quando ela aceitou logo de cara "assistir netflix" em sua casa. Imediatista como era, achou bom que tudo fluiu muito bem. Na verdade ela foi mais direta: toda vez que a palavra sexo entrava em cena nas conversas de whatsapp vinha acompanhado de um emoticon de coração da cor azul. Amorosa e fria ao mesmo tempo.
Ele não suspeitou. Os dois se conheceram em uma boate no centro da cidade. Atraído pela beleza da moça, ele não pensou duas vezes em perguntar se ela estava acompanhada. Ela, que vestia um belo e justíssimo vestido azul, respondeu que sim mas pediu para que o rapaz anotasse seu número. Com um número a mais na agenda do celular, o rapaz se despediu sorridente, deram um beijo na trave e desapareceram.
No dia seguinte, ele, imediatista como era, a convidou para um café em sua casa. Ela, esperta como era, não aceitou justificando que não o conhecia suficientemente para aceitar o convite. Ele, imediatista, rapidamente se apresentou de cabo a rabo, mandou currículo, portfólio, uma lista de preferências e o perfil do facebook. Ela, inteligente, achou tudo aquilo engraçado, e fingiu mudar de ideia.
- Tem Netflix aqui em casa! — insistiu o imediatista.
- Vou pensar no seu caso. — brincou a garota.
Minutos depois ela estava no carro dele sem muito o que dizer. Para deixar situação mais confortável, ele iniciou uma conversa meia-boca:
- O que você faz?
- Desempregada. Moro à pouco tempo aqui, sou do interior. — respondeu a garota.
- Mora sozinha?
- Com minha irmã.
- Legal.
As palavras se confundiam com o barulho do motor do carro. No resto da viagem optaram pelo silêncio.
Em casa, ambos perceberam que a conexão entre os dois era física, imediatamente se despiram e tudo fluiu perfeitamente, ambas as partes concluiram seus objetivos naquela noite.
Feliz com a noite passada, os dois trocaram mensagens calorosas e instigantes no dia seguinte. Ele rogou por um segundo encontro, e ela apenas fez mistério.
Cinco dias se passaram, o rapaz louco e impaciente, imediatista do jeito que era, implorou para vê-la. Eis o momento que ela esperava:
- Você daria qualquer coisa para me ver? — Provocou a esperta.
- Qualquer coisa, tô pagando qualquer preço! — Respondeu o inocente.
- Bem que eu tô precisando de dinheiro mesmo, duzentos reais está bom para você? — disparou a bendita.
- Você tá falando sério?
Surpreso porém lúcido, tudo se esclareceu na cabeça do rapaz. Afinal, só ele havia se apresentado, imediatista como era, esqueceu-se de pedir que ela se apresentasse tão a fundo como ele fez. Mas mesmo que ela o fizesse, falsearia tudo, assim como falseou o nome.
- Você está me cobrando pra transar com você?
- Sim, é mais gostoso! — respondeu ela.
- Acho mais gostoso pela conquista. — replicou ele.
- Eu não. É tão normal cobrar por sexo aqui nessa cidade. Quase todo mundo faz isso, vem pra cá!
Ainda desconfiado de que tudo aquilo não passasse de uma brincadeira, o rapaz perguntou:
- Passa cartão?
- Passa até ello.
Percebendo a seriedade da situação e satisfeito com a amostra grátis que havia ganhado noites atrás, ele finaliza:
- Desculpa moça, pensei que você fosse outra pessoa.
- Tudo bem, pensei o mesmo de você.
(Diego D’Ascheri — 25/08/2016)