eu quero voltar

não pra ti, mas pra mim

não pra esses versos escritos com os fluídos que tu coletou de mim

não pros quilos a menos e pras manhãs intermináveis

não pros cuspes nos olhos, mesmo que à distância

não quero ser tua musa

não quero que minha lembrança invada teus porres

não quero que tua saudade se restrinja às minhas fendas úmidas

há aqui, também, fendas secas e semi-cicatrizadas

e risos convulsivos e verborragia

tenho um mundo aqui e valorizo os mapas de bolso

não me quero em pedestais, me quero sentada na calçada falando bobagem

e, assim, ser lembrada também

te quero contente com a própria existência, fora dos papéis

quero vida pra mim e pra nós e pra todos e talvez tu não faça ideia disso

porque só existo na caixa lírica do teu peito

mas eu existo

e resisto e insisto

mas insisto, hoje, só em mim.

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