Cidade de Minas Gerais tem o sonho da coleta seletiva arruínado pela má gestão pública e falta de ética

Fonte ligada a The Journalists Network

A coleta seletiva iniciou-se no dia 2 de janeiro de 2016 na pequena cidade de Muzambinho, interior de Minas Gerais. A população de pouco mais de 20 mil habitantes mobilizou-se na separação do lixo urbano em decorrência do aviso oficial emitido pela prefeitura municipal da cidade e enviado para todas as casas do município, que tinha o nome de “Coleta seletiva de lixo, resíduos e descartes domésticos”.

O aviso dizia que a coleta seletiva era um “bom jeito de começar o ano” mas que a prefeitura precisava da “compreensão e cooperação de todos”. “Afinal, é uma iniciativa de interesse popular e sem ônus para a população. MAS CADA UM TEM QUE FAZER A SUA PARTE!”, dizia a carta enviada pela prefeitura, dando ênfase às responsabilidades de cada cidadão.

Porém, o mesmo órgão público que emitiu o aviso de coleta seletiva do lixo e que destacou que cada um deveria fazer a sua parte, omitiu-se não informando sobre a destinação do mesmo.

Pessoas ligadas à ex administração municipal foram até o lixão da cidade e perceberam que todos os resíduos urbanos que estavam sendo separados até então eram no final descartados no mesmo lugar de antes, o que queria dizer que todo o trabalho de separação estava sendo em vão.

Muzambinho não segue a Lei 12.305/10

A existência de um lixão a céu aberto na cidade, que recebe mais de 15 toneladas de lixo todos os dias, contrapõe a lei 12.305 de 2010, a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Por conta disso o município pode pagar uma multa que varia de 16 mil até 33 mil reais.

Falta de ética

De acordo com o dicionário Michaelis, “ética” é um “conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão”.

Na carta enviado pela prefeitura do município dizia-se que “Estaremos, assim, racionalizado a coleta e a destinação do lixo para melhor convivermos com a natureza, dando exemplo aos nossos filhos e para o resto da humanidade que precisa conscientizar-se do ecossistema e dos riscos inerentes”.

O exemplo dado pela administração municipal no não cumprimento da Lei 12.305/10, por falta vontade política, e também com as mentiras instauradas desde o anúncio da coleta, são claros exemplos de que a ética precisa de ser trabalhada melhor em universidades e escolas públicas de todo o país.

O meio ambiente está sendo destruído pela irresponsabilidade de prefeitos e administradores públicos como os de Muzambinho, que infelizmente não são exceção, são regra em todo o país. Que não só não cumprem leis aprovadas em âmbito nacional como também compactuam com o desrespeito e a destruição do meio ambiente.

Consequências do escândalo

Depois dos escândalos envolvendo a administração municipal, a coleta seletiva foi cancelada de acordo com jornais locais, que não divulgaram maiores informações.

Falta de planejamento

A falta de planejamento pela prefeitura da cidade vai muito além do descarte incorreto. Moradores reclamavam todos os dias que os lixos não estavam sendo recolhidos adequadamente, mesmo seguindo todos os procedimentos descritos na carta enviada.

De acordo com a ela, os caminhões de coletas passariam normalmente nas segundas, quartas e sextas e coletariam o lixo orgânico e o não reciclável, deixando qualquer outro tipo de lixo na porta da residência. Já nas terças e quintas recolheriam os materiais recicláveis. No 1° sábado de cada mês o caminhão passaria recolhendo descartes domésticos, não havendo coleta aos domingos e feriados e nem nos outros sábados.

A prefeitura entretendo não ofereceu treinamento para a separação adequada do lixo para a população, simplesmente deixando-o nas portas das residências, o que fez surgir um debate interessante: lixos acumulados nas ruas, sujeitos aos mais variados fenômenos da natureza (como chuvas fortes, que podem levá-los para dentro de bueiros e causar enchentes), além da ação de animais (como cachorros e roedores), é uma solução viável para que a população aprenda de vez a separar o lixo doméstico? Certamente não é a melhor solução e em outras administrações deve ser repensada.

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