Com Indústria da Seca e El Niño, nordeste sofre

Fonte: The Journalists Network

Em 2015, completa-se o centenário da emblemática seca que marcou profundamente o imaginário do povo cearense, devastou o sertão e foi retratada e imortalizada no romance A Seca do 15, da escritora Rachel de Queiroz. Entretanto, tantas décadas depois e em meio a tanta tecnologia, a realidade do sertanejo cearense continua semelhante aquela de um século atrás: amarga, dura e invisível.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos do Ceará (Funceme), caso em 2016 não ocorra chuvas suficientes, o Estado pode completar cinco anos sob os efeitos de uma terrível seca, que já casou inúmeros estragos. Um dos principais efeitos que tal estiagem trás para a população é a drástica diminuição no volume dos reservatórios, sendo que dos 153 açudes cearenses, cerca de 135 estão com volume abaixo dos 30%, de acordo com o boletim diário da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH), fazendo com que os moradores do interior fiquem impossibilitados de terem água disponível para suas atividades domésticas e laborais.

O El Niño é um fenômeno climático, obviamente natural, que também agrava o problema. Nele ocorre um aquecimento excessivo das águas do Pacífico, interferindo na intensidade dos ventos alísios e, consequentemente, modificando a incidência de chuvas na região Nordeste.

O problema torna-se pior devido a má gestão dos recursos públicos, onde políticos ainda lucram com a “Indústria da seca”. Percebe-se que as medidas paliativas do governo são claramente ineficazes, desde o burocrático e precário atendimento dos carro-pipa até a falha e superfaturada tentativa de transposição do rio São Francisco. E é nesse contexto arrasador e desesperador que o cearense sofre cada vez mais. Precisa abandonar sua casa em busca de oportunidades na capital, vendo seus animais morrerem a cada dia, além de ser completamente esquecido.

Mesmo depois de um século, passado e presente confundem-se e o pobre sertanejo continua à agonizar.

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