Uma análise de Lemann e Abilio, dois dos homens mais ricos do país

Autor ligado a The Journalists Network

Onde você estaria se tivesse 76 ou 78 anos hoje? Bom, não sei você mas Jorge Paulo Lemann (76) e Abilio Diniz, estão ai, com tudo, correndo atrás. Os “jovens” empresários adquiriram uma “participação societária relevante” da tradicional padaria de São Paulo, a Benjamim Abrahão. Quem conhece os negócios da dupla sabe que por ai vem algo grande.

A Península, holding da família Diniz, divulgou em nota que apenas comprou de uma “participação societária relevante” da Abrahão, mas para quem conhece os empresários sabe que não é bem assim. O plano deles é simples: fazendo um takeover, poderão implantar a cultura baseada na meritocracia, embora haja controvérsias sobre se realmente funciona mas que rege os negócios de Lemann (AB InBev, Heinz, Burger King, Lojas Americanas) e os de Abilio (BRF e ex-negócios como Sendas, Pão de Açúcar, Barateiro, Ponto Frio, Casas Bahía e Globex). Ademais, com o conhecimento de Abilio no varejo do ramo alimentício e logística, a parceria se torna um verdadeiro trunfo.

Consoante a Forbes, a Península, a Ocean e a Innova Capital compraram cerca de 80% da Abrahão. Vale lembrar que “Jorginho” tem participação tanto na Ocean quanto na Capital, que veio a mudar de nome.

A rede de padarias possui dois pontos em Higienopólis e Jardins. Além disso, tem 6 pontos de vendas em universidades: Mackenzie, PUC, Uninove Memorial, Uninove Barra Funda, Uninove Santo Amaro e FMU. Pode não ser muito, mas os planos já fazem jus ao perfil dos donos. Com metas ambiciosas, a empresa pretende duplicar os pontos de venda ainda em 2016.

Com lojas compactas de ate 120 m², as estruturas serão reorganizadas com foco no controle de matéria-prima, treinamento de pessoal e informatização. Mas esse modelo ainda esta em fase beta, ou seja, teste. Duas lojas, uma em Jardins e outra que irá ser inaugurada no Shopping El Dorado, entrarão com o layout novo.

Mas quem vai ser o Carlos Britto dessa AB Inbev? Quem apresentou o negócio aos empresários, Rita de Cássia Sousa Coutinho. Mas ela não está ai para ser subestimada. A executiva tem uma vasta experiência no varejo: trabalhou no Grupo Pão de Açúcar, ajudando a montar as rede Minuto Pão de Açúcar, bem como Minimercado Extra. Ademais, ela foi um habitué das padarias da vida, idealizando a Padaria Portuguesa (com 30 lojas em Portugal).

Bom, nem precisamos conhecer Diniz e Lemann para saber que onde eles estão se mentendo há um verdadeiro potencial. Vamos te dar um vislumbre da conjuntura, que tal? De acordo com a Abip (Associação Brasileira da Indústria da Panificação), existem aproximadamente 63.000 padarias nesse nosso Brasilzão. Essas movimentam quase 80 milhões ao ano. O setor teve um crescimento, de 2009 a 2013, digno de do dragão asiático: acima de 10%. Mas não se engane meu caro, nesse nicho quem manda é o negócio familiar, senão, porque você acha que Abilio e Lemann estariam entrando no jogo com todo esse aporte, por que eles podem? Não! Custo-benefício, é claro!

Por causa desse contexto, uma panificadora com 18 unidades é considerada uma multinacional na área. Contudo, aquelas que tentaram crescer viram suas expectativas minguarem. Bons exemplos são a Pão e Companhia e a Uni & Due, que não conseguiram se expandir como sonhavam. Agora elas têm que rever seus projetos, assim como a transnacional Au bon Pain.

“Temos diversas redes de fast-food e de restaurantes com atuação nacional, mas não há um movimento organizado em padarias”, diz o consultor Sérgio Molinari, da Food Consulting. Ele ainda acrescenta, afirmando que isso se deve a baixa profissionalização no ramo das padarias. Se isso lhe parecer pouco verossímil, compare uma padaria à um ponto de uma rede de fast-food.

Muito bem, vamos aonde os números nos levam. O mundo das panificadoras é dividido em centenas de milhares de feudos enclausurados em si mesmos e visando apenas o nicho que os cerceiam. Ainda sim, uma panificadora tem, em média, uma receita mensal de R$ 100 mil, enquato uma lanchonete tem entorno de 30 mil. Uma padaria em São Paulo da Benjamin deve ganhar aproximadamente uns 650 por mês. Com o capital dos sócios e meritocracia agressiva que o Jorge adora, a expansão da empresa não se limitará ao estado de São Paulo em pouco tempo, batendo o record de todas as outras do Brasil que tentaram um modelo expansionista. Em 5 anos, considerando holisticamente um mercado bom, apesar das turbulências, a Benjamin estará em uma punhado de estados. Em 10, para uma padaria no Brasil: famosa. Para ser hegemônica, bom, pergunte ao Abilio Diniz e ao Jorge Paulo, talvez a palavra “ousadia” tenho mudado de sentido ao long

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